Investigações Revelam Causas das Mortes
As trágicas mortes da leoa Pretória e da chimpanzé Kelly no Zoológico de Belo Horizonte geraram investigações aprofundadas. Segundo a prefeitura, um relatório divulgado nesta terça-feira (13) aponta que ambos os animais apresentavam doenças preexistentes, conhecidas como “comorbidades pretéritas”, antes de serem transferidos para o zoológico.
A sindicância encarregada de apurar as circunstâncias das mortes concluiu que não houve nenhum erro ou conduta inadequada por parte da equipe veterinária do zoológico. As mortes ocorreram na mesma semana, quando os animais passavam por procedimentos anestésicos. A leoa, de 14 anos, sofreu uma parada cardiorrespiratória em 11 de novembro, enquanto Kelly, que tinha 27 anos, faleceu no dia seguinte.
Ambos os animais chegaram ao zoológico em outubro, e a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) afirmou que laudos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Polícia Civil indicam que as complicações durante os procedimentos anestésicos foram provavelmente causadas por condições pré-existentes. O relatório ainda descartou a possibilidade de contaminação nos frascos dos anestésicos usados.
Saúde dos Animais Antes da Transferência
A FPMZB explicou que a investigação incluiu visitas técnicas ao zoológico e entrevistas com a equipe médica, além da análise dos históricos médicos dos animais. No caso da leoa Pretória, o laudo da UFMG revelou que ela apresentava sobrepeso, linfonodos levemente aumentados e alterações na boca.
De acordo com a nota da Fundação, as conclusões indicam que a leoa sofria de pneumonia broncointersticial neutrofílica multifocal moderada, possivelmente decorrente de problemas crônicos na cavidade oral. Essas condições, segundo o relatório, podem ter contribuído significativamente para o desfecho trágico.
No que se refere à chimpanzé Kelly, a necrópsia revelou a presença de miocardite linfo-histioplasmocitária, um leiomioma uterino e um pólipo endometrial, condições que podem ter complicado sua saúde durante o procedimento anestésico.
Decisão Veterinária Justificada
O relatório final da comissão de sindicância reafirmou que não houve superdosagem de anestésicos como causa das mortes dos animais. A decisão dos veterinários de intervir, em ambos os casos, foi considerada apropriada e justificada pelos profissionais, segundo a FPMZB.
A leoa Pretória, que chegou ao zoológico no dia 15 de outubro, veio junto com um leão-branco macho chamado Mafu. Ela apresentava uma fratura em um dos dentes, que, conforme o relatório, ocorreu na instituição de origem. No dia 11 de novembro, durante um tratamento de canal que exigia anestesia, a leoa não resistiu e sofreu a parada cardiorrespiratória.
Por outro lado, Kelly necessitava de anestesia para a realização de exames fora do zoológico, mas também não sobreviveu ao procedimento. As mortes dos dois animais levantaram preocupações e reflexões sobre a saúde dos animais em cativeiro e a importância de monitorar as condições pré-existentes antes de qualquer intervenção médica.
