Vice-Prefeito de Itaúna sob Suspeita
A Polícia Federal (PF) anunciou que irá solicitar à Justiça Federal a inclusão do nome do vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto, na lista da Interpol. Hidelbrando, que é filiado ao PL, está foragido nos Estados Unidos desde setembro de 2025, quando um mandado de prisão foi emitido contra ele. A investigação faz parte da operação Rejeito, que desmantelou uma organização criminosa envolvida na falsificação de licenças ambientais de diversos órgãos, tanto estaduais quanto federais.
A PF informou que a ordem de prisão ainda está ativa. “Solicitamos à Justiça Federal a inclusão do investigado na lista de procurados da Interpol. Existe, sim, a possibilidade de sua detenção no país estrangeiro”, revelou a PF em comunicado recente.
Andamento da Investigação
A Justiça Federal foi acionada pela reportagem para obter informações sobre o progresso do caso e está aguardando uma resposta. De acordo com documentos da PF, Hidelbrando atuava diretamente nas operações da organização criminosa, utilizando empresas de fachada no setor de mineração para encobrir atividades ilícitas.
O político estava ativo em um grupo de WhatsApp que discutia ações corruptas e era sócio da BRAVA Mineração, onde aparece em conversas interceptadas como um dos principais articuladores de atos corruptos. A Justiça determinou a apreensão de seus bens imóveis e veículos e a suspensão das atividades de sua empresa, BRAVA.
Caminhos da Política Local
Antes de assumir o cargo de vice-prefeito, Hidelbrando exerceu funções como secretário-executivo e subsecretário na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), até 2021. Ele deixou o país dois dias antes da operação ser deflagrada e, desde então, enfrenta um processo de cassação de seu mandato em Itaúna.
A prefeitura da cidade emitiu um comunicado confirmando que tomou todas as medidas necessárias, incluindo a exoneração do cargo de secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, que Hidelbrando ocupava paralelamente ao mandato de vice-prefeito.
Posicionamento da Defesa e da Prefeitura
O escritório que defende Hidelbrando, Pimenta de Freitas Advogados, destacou que a investigação está em uma fase pré-processual e tramita sob sigilo, sem nenhuma ação penal ou condenação judicial contra o vice-prefeito. “O procedimento investigativo não está relacionado à atuação política de Hidelbrando em Itaúna”, acrescentou o comunicado.
A nota da defesa ainda ressaltou que todas as ações necessárias para comprovar a inocência de Hidelbrando estão sendo realizadas dentro da investigação.
A prefeitura, por sua vez, reafirmou que todas as ações tomadas foram dentro da legalidade. “Quando fomos informados sobre as investigações, agimos prontamente, exonerando o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo. Quanto ao cargo de vice-prefeito, que é adquirido pelo voto, a suspensão do salário foi realizada em respeito aos prazos legais”, explica o comunicado da prefeitura.
Além disso, o poder Executivo não tem autoridade para exonerar um vice-prefeito, uma vez que mandatos obtidos por votação podem ser interrompidos somente por meio de cassação, a cargo do Legislativo ou judiciário. “Se houver um processo de cassação, ele deverá ser conduzido pelos vereadores ou pela justiça”, finalizou a nota.
