Crescimento Alarmante nas Interrupções de Água
Entre janeiro e outubro de 2025, Minas Gerais registrou 5.571 interrupções no fornecimento de água com duração superior a 12 horas, o que representa uma média de 557 ocorrências mensais. Esse número é alarmante, marcando um aumento de 71,9% em comparação ao mesmo período de 2024. Os dados foram obtidos através da Lei de Acesso à Informação.
Além do aumento nas interrupções, o tipo de paralisação também sofreu uma mudança significativa. Em 2021, cerca de 59% dos casos eram atribuídos a manutenções programadas. No entanto, neste ano, impressionantes 97% das interrupções estão relacionadas a problemas emergenciais.
Daiane de Fátima, residente no bairro São Pedro, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, expressou sua frustração: “A falta de água se tornou parte da minha rotina. Já houve períodos em que fiquei até dez dias sem abastecimento. Desde julho, a situação piorou muito. Fico sem água frequentemente, sem saber quando vai voltar. Minha conta já passou de R$ 350, e a água não vem”, desabafou Daiane.
Regras e Fiscalização das Interrupções de Abastecimento
De acordo com as normas estabelecidas pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário (Arsae), toda interrupção que ultrapassar 12 horas deve ser devidamente registrada e divulgada. Nos casos de interrupções programadas, os consumidores devem ser notificados com pelo menos três dias de antecedência. Para situações emergenciais, a comunicação deve ser imediata.
A Arsae informou que monitora semanalmente os dados das interrupções, analisa as reclamações dos consumidores e despacha equipes de fiscalização quando há faltas prolongadas ou frequentes. Caso as normas não sejam seguidas, penalidades podem ser aplicadas, abrangendo desde falhas na comunicação até atrasos no reabastecimento e a falta de caminhões-pipa para serviços essenciais.
Direitos do Consumidor em Casos de Interrupções
Felipe Moreira, advogado especializado em direito do consumidor, esclareceu que os consumidores têm o direito ao ressarcimento em situações de interrupções prolongadas ou repetidas. “O consumidor paga por um serviço contínuo. Quando isso não ocorre, ele pode buscar compensação”, afirmou Moreira. Além disso, os prejuízos comprovados podem levar a pedidos de indenização por danos materiais.
Posicionamento da Copasa sobre a Situação
Em resposta às crescentes interrupções, a Copasa declarou que está atenta ao problema e que está constantemente aperfeiçoando suas operações para aumentar a eficiência do sistema com o objetivo de minimizar os impactos para os clientes. A companhia também informou a implementação de novas tecnologias para a detecção de vazamentos invisíveis, além da renovação de hidrômetros e medidores.
Sobre a questão específica do bairro São Pedro, a Copasa explicou que o desabastecimento é consequência do aumento no consumo durante os dias mais quentes do ano.
Essa crise no abastecimento de água traz à tona a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso da situação e um diálogo mais transparente entre a Copasa e a população, que clama por soluções eficazes e rápidas.
