Cenário Positivo, Mas Desafios à Vista
Minas Gerais registrou a abertura de mais de 532 mil novas empresas em 2025, um crescimento notável de 21% em comparação ao ano anterior. Esse avanço deve-se, em grande parte, aos micro e pequenos negócios, que têm se mostrado fundamentais para a economia local. O setor de Serviços, por exemplo, teve um saldo positivo de 146 mil empresas, destacando-se como o principal motor desse crescimento.
No entanto, nem tudo são boas notícias. O número de fechamentos de empresas também aumentou, com uma alta de 29%, resultando em um crescimento modesto de apenas 5% no saldo geral, que totaliza 215 mil negócios ativos. Essas informações foram extraídas de um relatório elaborado pelo Sebrae Minas com base em dados da Receita Federal.
Além do setor de Serviços, o Comércio se destacou com um saldo de 28,2 mil empresas, enquanto a Indústria ficou em terceiro lugar, com 20 mil novos registros. Setores estratégicos para a economia mineira, como Construção Civil e Agropecuária, também contribuíram, registrando saldos de 16,2 mil e 3,7 mil empresas, respectivamente.
Avanços Regulatórios e Ambiente Empresarial
Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, atribui o desempenho positivo em 2025 a melhorias regulatórias, como a implementação da Lei de Liberdade Econômica, e a um ambiente empresarial que se estabiliza após períodos de ajustes. “O saldo positivo reflete um cenário mais estável e seletivo, onde as empresas que conseguem se adaptar às condições econômicas atuais mantêm suas operações, mesmo em um momento de crescimento moderado”, destaca.
Entre as cidades mineiras, Belo Horizonte lidera a lista com 98 mil novas formalizações, seguida por Uberlândia, que registrou 30 mil, Contagem com 22,9 mil, Juiz de Fora com 16,6 mil e Betim com 13,9 mil. Dois municípios próximos à capital, Sete Lagoas e Ribeirão das Neves, também se destacaram, com crescimentos de 18,7% e 17,23%, respectivamente, em relação ao ano anterior.
Setores em Destaque e Desafios
As atividades que mais cresceram em formalizações incluem a Promoção de Vendas, com mais de 25 mil novas empresas, e o Transporte Rodoviário de Carga Municipal, exceto produtos perigosos, que totalizou 19,4 mil aberturas. O Comércio Varejista de artigos, vestuário e acessórios, por outro lado, registrou 17,6 mil novos CNPJs.
O setor de beleza também teve um desempenho positivo, com 18 mil novas aberturas de empresas voltadas para serviços de cabeleireiros, manicures e pedicures. Contudo, o comércio varejista de vestuário e acessórios se destacou negativamente, liderando os fechamentos com 16.518 negócios encerrados em 2025. Além disso, setores alimentícios como lanchonetes e casas de chá também enfrentaram dificuldades, resultando em 7.342 empresas fechadas.
Uma Análise Profunda do Cenário Econômico
Stefan D’Amato, economista e conselheiro de política econômica, analisa que o crescimento de novas empresas em Minas Gerais, embora seja um sinal positivo de dinamismo, não deve ser interpretado automaticamente como um crescimento sustentável. Ele argumenta que o desempenho do último ano reflete um ambiente regulatório mais simples e um esforço bem-sucedido de formalização, mas alerta para a alta taxa de encerramentos em setores com intensa concorrência e margens reduzidas.
“Esse cenário sugere que muitos negócios estão adotando estratégias de sobrevivência, com foco em autoemprego e reações defensivas ao mercado de trabalho, ao invés de um ciclo robusto de expansão produtiva a longo prazo”, comenta D’Amato. Ele menciona a Promoção de Vendas como um exemplo, sublinhando que se trata de um setor intimamente ligado ao comércio e à economia urbana, altamente sensível ao comportamento do consumo.
Desafios Futuros e Oportunidades
O economista conclui que, embora o ambiente empresarial esteja se consolidando, o verdadeiro desafio será transformar a quantidade de novas empresas em qualidade. “É vital fortalecer negócios com maior produtividade, estimular setores de maior valor agregado e reduzir a vulnerabilidade das empresas a oscilações de renda e consumo, especialmente em um cenário econômico ainda desafiador”, finaliza.
