Campanha Janeiro Roxo e a Realidade da Hanseníase
A hanseníase ainda é cercada por numerosos mitos e desinformação, porém existem opções de cura e tratamentos disponíveis sem custos através do Sistema Único de Saúde (SUS). No cenário de Minas Gerais, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) se destaca como referência no diagnóstico e tratamento dessa condição. O último domingo de janeiro é marcado no calendário como o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Hanseníase, mas o mês inteiro é celebrado como “Janeiro Roxo”, um período dedicado à conscientização sobre essa enfermidade.
Conforme informações do HC, os índices de detecção da hanseníase em Minas Gerais têm se mantido historicamente inferiores à média nacional. Dados recentes do Governo do Estado apontam que, em 2024, foram registrados 1.294 casos, enquanto em 2025 esse número caiu para 1.080. Em um esforço para intensificar o combate à doença, a Secretaria de Estado de Saúde anunciou a implementação inédita de testes moleculares do tipo PCR na rede pública, ampliando as opções de diagnósticos disponíveis.
Desafios e Diagnóstico Tardio
A coordenadora do Ambulatório de Hanseníase do HC-UFMG, Denise Maria Assunção, ressalta que o diagnóstico tardio continua a ser um dos principais obstáculos na luta contra a doença. “Essas dificuldades surgem principalmente devido à evolução lenta e progressiva dos sintomas, à hesitação dos pacientes em buscar atendimento e, em certas situações, à falta de conhecimento sobre as primeiras manifestações”, explica. Esse cenário preocupa, pois aumenta o risco de incapacidades, sublinhando a urgência de ações contínuas voltadas para a educação em saúde e capacitação dos profissionais envolvidos.
Diagnóstico Especializado e Estratégico
Marcelo Rossi, dermatologista que faz parte do ambulatório e é professor na Faculdade de Medicina da UFMG, destaca que o diagnóstico da hanseníase é predominantemente clínico, envolvendo uma avaliação dermatoneurológica cuidadosa. Exames complementares, como o PCR, podem ser utilizados de forma estratégica, especialmente em casos mais complexos ou na investigação de resistência ao tratamento, servindo como apoio diagnóstico em circunstâncias específicas.
Tratamento e Acompanhamento Integral
O tratamento da hanseníase, disponível gratuitamente pelo SUS, inclui a entrega de medicamentos essenciais e, quando necessário, cirurgias reparadoras, realizadas no próprio complexo hospitalar. Os pacientes também recebem suporte de outras especialidades, como neurologia, oftalmologia e reumatologia, garantindo um acompanhamento integral e eficaz ao longo do tratamento.
Referência em Cuidados
O Ambulatório de Hanseníase do HC-UFMG, que opera há mais de 40 anos, já contabiliza mais de 56 mil atendimentos, consolidando-se como um centro de excelência em Minas Gerais. Além de oferecer cuidados assistenciais, a unidade tem um forte compromisso com a educação e formação de novos profissionais de saúde, adotando um modelo de atenção integral e multidisciplinar.
Vale ressaltar que, além da unidade localizada em Belo Horizonte, outras instituições da Rede Ebserh em Minas Gerais, como o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) e o Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), também disponibilizam atendimento gratuito para hanseníase.
Como Procurar Ajuda
Em caso de suspeita ou diagnóstico confirmado de hanseníase, os pacientes podem entrar em contato diretamente com o Hospital das Clínicas da UFMG. As informações de contato são o e-mail dermatologiahcufmg@gmail.com e o telefone (31) 3307-9560.
