Luciano Chirolli: A Experiência de Atuar em ‘O Agente Secreto’
O ator Luciano Chirolli, conhecido por seu papel como o vilão Henrique Ghirotti em “O Agente Secreto”, compartilha suas impressões sobre essa experiência marcante. Chirolli, que inicialmente não foi aprovado no teste, recebeu uma ligação da produção que mudaria sua trajetória: “Houve uma alteração nos planos e aquela cena do teste? Vamos começar por ela. Preciso que você pegue um voo hoje às oito da noite para estar amanhã às oito da manhã no set”, relembra com um toque de emoção.
Chegando ao Recife em julho de 2024, Chirolli veio de São Paulo e estava com pouco descanso. “Dormir às 2h da manhã e acordar às 4h para fazer prova de figurino não é a melhor forma de começar o dia”, conta. No entanto, a recepção calorosa do colega Wagner Moura, que lhe deu um abraço e disse: “Vamos em frente”, ajudou a acalmar os nervos. O diretor Kleber Mendonça Filho começou a trabalhar na cena, que logo se tornou intensa e recheada de energia.
A sequência em que Chirolli e Moura se encontram é crucial para o filme, uma reunião entre Ghirotti e o corpo docente da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Era um ambiente cheio de vida, com oito ou nove atores na mesa, além da equipe de figuração. Nunca havia filmado em uma situação que passasse essa urgência, mas quando você está no set, parece que o tempo se expande para que você aproveite a proposta de atuação. O Kleber tem essa habilidade de guiar com sutileza, dando direção discreta e eficaz”, acrescenta Chirolli, refletindo sobre a energia vibrante do set.
O ator foi escalado para o filme através de Marcelo Caetano, um realizador mineiro que auxiliou na seleção de elenco. “Como Gabriel Domingues estava concentrado em reunir atores do Nordeste, o Marcelo, que conhece minha trajetória no teatro, foi chamado para isso”, explica. Chirolli também compartilha que, assim como Caetano, ele é mineiro de Poços de Caldas e tem um laço especial com sua cidade natal.
A paixão pela arte começou cedo; Chirolli se mudou para São Paulo com a intenção de prestar vestibular para medicina. Falhando em ser aprovado, optou por ciências sociais na USP, onde se apaixonou pela antropologia, mas uma mudança de caminho aconteceu quando conheceu a atriz e diretora Myriam Muniz. “Desisti da antropologia e ingressei na Escola de Arte Dramática há 42 anos”, revela, traçando a trajetória que o levou ao teatro.
Seu início profissional aconteceu em 1986, e um divisor de águas em sua carreira foi o encontro com a renomada atriz Maria Alice Vergueiro, que o convidou a se juntar a um novo projeto no Teatro do Ornitorrinco. Essa colaboração levou à fundação do Grupo Pândega em 2007, influenciado pelo artista Alejandro Jodorowsky. “Estamos em pleno desenvolvimento de uma nova montagem chamada ‘De Tar a Taz’, que é baseada em ‘Fando e Lis’, um filme de Jodorowsky lançado em 1968”, explica Chirolli sobre suas empreitadas artísticas atuais.
Por ora, Chirolli está em busca de mais oportunidades cinematográficas. “O impacto de ‘O Agente Secreto’ está começando a abrir novas portas para mim. Eu tenho oito cenas no filme, a maioria gravadas no Recife, mas também filmamos uma sequência em São Paulo, onde Ghirotti contrata matadores em seu escritório. Essa cena foi feita em estúdio e me permitiu explorar o personagem em profundidade”, ressalta o ator, que aprecia a dinâmica de trabalho no cinema.
Chirolli destaca o trabalho com Kleber Mendonça Filho como uma experiência rica. “Working com ele é um banquete de possibilidades. Ele filma primeiro como está escrito, e depois, no intervalo, sugere que façamos versões diferentes da cena, permitindo que o ator improvise, o que enriquece nossa atuação”, conclui, refletindo sobre sua jornada e o que ainda está por vir.
