Entenda as Estruturas Utilizadas na Mineração
Na madrugada de um domingo chuvoso, uma cava da Mina de Fábrica, localizada entre Ouro Preto e Congonhas, transbordou. Aproximadamente 260 mil metros cúbicos de água misturada com sedimentos – o que equivale a cerca de 80 piscinas olímpicas – vazaram desta estrutura, impactando uma unidade da CSN. O ocorrido se deu em meio a intensas chuvas na região, conforme relatou a Vale, empresa responsável pela mina.
No mesmo dia, a Mina Viga, também em Ouro Preto, apresentou extravasamento de água em sua estrutura de drenagem, conhecida como sump. O governo de Minas Gerais, preocupado com as consequências ambientais, observou que houve carreamento de sedimentos e assoreamento de cursos d’água, resultando em uma autuação contra a mineradora. A Agência Nacional de Mineração (ANM) está monitorando a situação e garantiu que não houve ruptura ou colapso das barragens ou pilhas de rejeitos durante os incidentes.
Em resposta aos transbordamentos, a Prefeitura de Congonhas decidiu suspender os alvarás da Mina Viga e está em diálogo com Ouro Preto para que medidas semelhantes sejam aplicadas à Mina de Fábrica. Essa decisão resulta em restrições às atividades econômicas da mineradora, incluindo a interrupção da emissão de notas fiscais na cidade.
O que são as Estruturas da Mineração?
Para entender melhor as implicações desses transbordamentos, conversamos com Roberto Galery, professor titular do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele nos ajudou a esclarecer as principais estruturas utilizadas nas atividades de mineração:
Cava: A cava é uma abertura, basicamente um buraco, criado pela extração do minério, que é retirado tanto do solo quanto do subsolo. Essas cavidades são uma característica comum das atividades mineradoras e podem representar riscos ambientais se não forem geridas adequadamente.
Sump: Essa é uma abertura situada no fundo da mina, projetada para reter água. O sump tem como função principal reduzir a energia da água, evitando que ela escoe rapidamente, o que pode levar a deslizamentos ou outros problemas estruturais.
Dique: Os diques são estruturas construídas para armazenar água, que poderá ser utilizada posteriormente nas atividades da mina. Eles são cruciais para o gerenciamento hídrico, especialmente em períodos de chuvas intensas.
Barragem: No contexto da mineração, a barragem é a estrutura que retém os rejeitos na forma de polpa. Nela, os sólidos sedimentam enquanto a água é drenada. Essas barragens podem ser construídas com aterro ou até mesmo com os próprios rejeitos provenientes da atividade mineradora, representando um risco potencial caso não sejam mantidas em boas condições.
Pilha de mineração: As pilhas de estéril e de rejeito são depósitos formados durante o processo de mineração. O estéril é aquele material que não possui valor econômico e precisa ser removido para facilitar a lavra, enquanto o rejeito é a sobra do processo de beneficiamento do minério, que também deve ser gerido com cuidado para evitar impactos ambientais.
Os eventos recentes em Minas Gerais ressaltam a importância da gestão e monitoramento dessas estruturas. Com as mudanças climáticas e as intensas chuvas que a região tem enfrentado, é vital que práticas de segurança e sustentabilidade sejam implementadas para prevenir desastres futuros. O diálogo entre as autoridades locais, as mineradoras e a população é crucial para garantir a proteção ambiental e a segurança da comunidade.
