Falta de Recursos afeta Atendimento em Hospitais Filantrópicos de BH
Representantes de hospitais filantrópicos em Belo Horizonte emitiram um alerta sobre a grave crise financeira que as unidades estão enfrentando devido à falta de repasses da prefeitura. De acordo com informações, instituições como a Santa Casa, o Hospital Sofia Feldman, o Hospital São Francisco, o Hospital da Baleia, o Hospital Mário Penna e o Hospital Universitário Ciências Médicas estão sentindo os efeitos das dificuldades financeiras, que se agravam a cada dia.
A problemática dos atrasos nos repasses começou a ser discutida desde dezembro de 2025, quando as instituições apontaram uma inadimplência da prefeitura que atingia o montante de R$ 50 milhões. Este valor, segundo os dirigentes, chega a ser ainda mais alarmante, com estimativas que apontam para um total de R$ 100 milhões no início de 2026. O que causa essa situação, segundo os diretores, são as chamadas “pedaladas”, onde o município utiliza recursos do Ministério da Saúde destinados a novos projetos para quitar dívidas passadas, prorrogando assim, os repasses comprometidos para os meses seguintes.
Nesta quarta-feira (28), os representantes dos hospitais reforçaram que a falta de previsibilidade financeira tem causado dificuldades sérias, como a interrupção do fornecimento de insumos essenciais. Além disso, essa situação gerou um endividamento emergencial e a necessidade de limitar novas internações para manter a segurança dos pacientes que já estão internados.
“Os hospitais já ultrapassaram seu limite operacional. Estamos enfrentando sérias dificuldades para honrar a folha salarial dos funcionários. Fornecedores e prestadores de serviços estão igualmente comprometidos financeiramente, o que impacta diretamente a disponibilidade de medicamentos e insumos necessários. Essa situação está obrigando alguns hospitais a reduzir sua capacidade de atendimento ao SUS,” afirmou a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas).
Promessas Não Acompanhadas de Ação
Os dirigentes hospitalares lembraram que, durante uma reunião realizada em 7 de janeiro, a prefeitura havia se comprometido a elaborar um cronograma para regularizar os repasses. No entanto, essa promessa ainda não foi cumprida. Por outro lado, a prefeitura se defende afirmando que “o que foi definido está sendo honrado”. Segundo a administração municipal, foram repassados mais de R$ 177 milhões às instituições apenas em janeiro.
Contudo, a Federassantas contestou essa informação, destacando que esse montante corresponde a cerca da metade do que deveria ter sido efetivamente repassado durante o período. A advogada Kátia Rocha, presidente da federação, destacou que a situação se agrava, com R$ 96 milhões ainda em aberto. Caso não haja novas transferências, esse valor pode atingir cerca de R$ 148 milhões até sexta-feira, superando os números de 2025.
A Resposta da Prefeitura e as Perspectivas Futuras
Em uma nota oficial, a Prefeitura de Belo Horizonte reafirmou seu compromisso com os hospitais e esclareceu que os repasses estão em andamento, respeitando os limites financeiros e legais do município. “Os envios dos valores seguem ao longo deste mês e de fevereiro, de acordo com a efetiva disponibilidade de recursos do município”, esclareceu a nota.
Apesar do posicionamento da prefeitura, as instituições de saúde permanecem apreensivas. A falta de repasses adequados não é apenas uma questão financeira, mas também uma questão de saúde pública que afeta diretamente a capacidade de atendimento à população. Os hospitais alertam que, caso a situação não seja regularizada rapidamente, o colapso assistencial pode se concretizar.
Esse cenário crítico destaca a urgência de um diálogo efetivo entre as instituições de saúde e o governo municipal para que sejam encontradas soluções viáveis e sustentáveis. O futuro do atendimento à saúde em Belo Horizonte depende, em grande medida, da regularização desses repasses e do comprometimento de ambas as partes em garantir que a saúde da população seja prioridade.
