PT Lança Alternativas para Governo de Minas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou a seus auxiliares que irá contatar o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), buscando convencê-lo a se candidatar ao Governo de Minas Gerais. A estratégia visa garantir um apoio robusto ao petista no segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Entretanto, diante das últimas declarações de Pacheco, que demonstraram insegurança a respeito de uma candidatura, os aliados de Lula começaram a explorar um plano B, que inclui nomes como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o presidente da Assembleia Legislativa de Minas, Tadeu Leite (MDB), e o ex-procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares.
As prefeitas petistas de Contagem, Marília Campos, e de Juiz de Fora, Margarida Salomão, também estão na lista de possíveis alternativas. Contudo, Marília é mais frequentemente mencionada como uma opção para uma das duas vagas ao Senado, o que complica ainda mais a situação. Apesar da busca por outros nomes, até o momento, os esforços não contam com o aval direto de Lula, que ainda acredita que Pacheco é a melhor opção para a disputa no estado.
A estratégia de Lula envolve não apenas um telefonema a Pacheco, mas também o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para a formação de um consenso. Além disso, o diretório do PT em Minas Gerais demonstrou resistência a uma possível aliança com Cleitinho, visto como um político que envia sinais confusos e é percebido por muitos como alinhado a pautas bolsonaristas. Recentemente, Cleitinho expressou apoio ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante uma manifestação em defesa da liberdade de Jair Bolsonaro.
Aliados do presidente identificam Tadeuzinho, o atual presidente da Assembleia Legislativa, como uma outra figura potencial para a candidatura ao governo. No entanto, Lula pediu ao presidente do PT, Edinho Silva, que adiasse qualquer negociação com Tadeuzinho, aguardando um posicionamento mais claro de Pacheco. Essa decisão foi vista pelos próximos de Lula como um indicativo de que as conversas com Pacheco podem progredir.
Tadeuzinho, ao ser questionado sobre sua candidatura, declarou que atualmente se considera pré-candidato a deputado estadual, afirmando ter se concentrado na complicada situação das finanças estaduais. Qualquer mudança de direção em sua carreira política, ele ressaltou, seria discutida futuramente com seu grupo.
Na arena eleitoral, Minas Gerais destaca-se como o segundo maior eleitorado do país, ficando atrás apenas de São Paulo. A história política demonstra que o candidato à presidência que triunfa no estado frequentemente é eleito. Desde 1945, apresenta-se apenas uma exceção: Getúlio Vargas, que conquistou a Presidência em 1950 mesmo após uma derrota em Minas.
Com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando, Lula e seus aliados reconhecem que a competição será intensa. Portanto, ter candidatos fortes ao governo é essencial para garantir a manutenção dos votos que o petista obteve em 2022, onde conquistou 50,2% das preferências em Minas.
O presidente tem enfatizado a importância de estabelecer um diálogo com Pacheco sobre sua possível candidatura. Ele acredita que a colaboração do senador em um projeto político robusto é crucial para o sucesso de ambos nas próximas eleições. Uma chapa competitiva poderia incluir nomes como o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), e Marília Campos como candidatos ao Senado. Além disso, o ex-prefeito Márcio Lacerda também tem sido cogitado como um possível vice na chapa de Pacheco, embora ele tenha sinalizado que não tem interesse em retornar à vida pública.
Por outro lado, Pacheco expressou a aliados que pretende se afastar da política ao final de seu mandato, que se encerra em fevereiro do próximo ano. Ele foi cogitado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal no ano anterior, mas o presidente optou por Jorge Messias para o cargo. Em contato com a Folha, o senador preferiu não comentar sobre o assunto.
Se Pacheco decidir se candidatar ao governo, ele provavelmente precisará trocar de partido. Atualmente, o PSD abriga o vice-governador Mateus Simões, que já é pré-candidato ao governo contando com o apoio do atual governador, Romeu Zema (Novo). Lula sugeriu que o MDB seria a melhor opção para Pacheco, caso ele opte por concorrer. Essa mudança de partido poderia ser facilitada por meio da mediação dos senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL).
Além disso, poderia haver espaço para Pacheco na União Brasil, mas isso exigiria garantias adicionais. Uma possibilidade seria, através de Alcolumbre, promover um aliado de Pacheco para a presidência do diretório mineiro do partido.
Com o cenário ainda indefinido, setores do PT em Minas discutem a opção de lançar a reitora da UFMG, Sandra Goulart, como candidata ao governo. No entanto, é improvável que Lula e a cúpula nacional do PT deixem a escolha de uma candidatura majoritária no estado nas mãos da seção local do partido. Existe a possibilidade de que Cleitinho não se lance como candidato e indique seu irmão, Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis, como vice de Simões, embora o senador tenha refutado essa hipótese.
