O Legado de JK na Política Brasileira
Adversários políticos, como o presidente Lula (PT) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), compartilham uma característica marcante: a reverência ao ex-presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976). Este político, que governou o Brasil de 1956 a 1961, continua sendo uma referência relevante, sendo frequentemente citado em discursos para evocar sua imagem positiva. Passados 70 anos desde sua posse, JK permanece como inspiração tanto para a direita quanto para a esquerda, funcionando como um elo entre diferentes visões políticas.
O lema de Juscelino, “50 anos em 5”, simbolizava seu compromisso com a modernização do Brasil, o que ainda ressoa na política contemporânea. O PSD, partido pelo qual ele foi eleito, nasceu dentro do contexto getulista e abrigava figuras proeminentes como Tancredo Neves e Ulysses Guimarães. Em 2022, no comício em Juiz de Fora (MG), Lula prometeu realizar “40 anos em 4” se eleito, enquanto Tarcísio repetiu essa mesma ideia em um evento empresarial em São Paulo, defendendo a necessidade de um governo que faça o Brasil “crescer 40 anos em 4”.
A Influência de JK no Cenário Atual
Além de Lula e Tarcísio, outros políticos também evocam o nome de JK. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) também mencionaram Juscelino como modelo a ser seguido, tanto na administração pública quanto na condução política de forma equilibrada, sem extremos ideológicos. Antes de ocupar a Presidência, JK teve sua carreira política iniciada como prefeito de Belo Horizonte e governador de Minas Gerais, onde estabeleceu gestões dinâmicas e uma forte coalizão política.
Ronaldo Caiado, atual governador de Goiás e um potencial candidato à presidência em 2026, também se compara a Juscelino. Ele foi defensor, em várias ocasiões, da anistia geral e irrestrita aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado e nos eventos de 8 de Janeiro. Caiado acredita que essa anistia, inclusive para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seria um passo significativo para pacificar o país em meio à polarização política entre esquerda e direita.
Desafios e Conquistas no Governo de JK
A história de Juscelino também é marcada por turbulências. Em 1955, insatisfeitos com a derrota eleitoral e acusando fraude — sem evidências concretas —, opositores civis e militares, apoiados pela União Democrática Nacional (UDN), tentaram um golpe para impedir sua posse, um evento que ficou conhecido como “golpe preventivo”. O então ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, mobilizou tropas e tanques para garantir a posse de JK, protegendo a democracia do país.
Mais tarde, em 1956, uma rebelião militar em Jacareacanga (PA) e outra em Aragarças (GO), em 1959, também ameaçaram sua governança, mas Juscelino conseguiu amenizar a situação ao promover uma ampla anistia aos envolvidos em tentativas de golpe. Com a estabilização política, seu foco se voltou para o Plano de Metas, que visava a industrialização e a construção de Brasília, transformando o país em um centro de modernização.
A Visão de Especialistas sobre o Legado de JK
O cientista social Fábio Chateaubriand Borba destaca que “o governo JK foi um marco de grandes conquistas para o Brasil, em diversas áreas. Para a população, ele simbolizava a modernização, a criação de oportunidades e a geração de empregos”. Esse espírito inovador é capturado no documentário “JK – O Reinventor do Brasil”, que narra a trajetória do ex-presidente desde sua infância até o trágico acidente que ceifou sua vida em 1976, cujas circunstâncias ainda permanecem misteriosas.
O cientista político Rudá Ricci também traça comparações entre JK e John F. Kennedy, ex-presidente dos Estados Unidos. Embora as circunstâncias políticas sejam diferentes, Ricci observa que ambos compartilhavam um estilo carismático e ousado que marcou suas administrações, criando identidades nacionais e abrindo suas nações ao mundo.
A Dualidade do Governo JK
Apesar de seu legado positivo, o governo de Juscelino não foi isento de críticas. Especialistas apontam que seu investimento em grandes obras, como Brasília, resultou em um descontrole das contas públicas e em problemas de inflação que afetariam o Brasil nas décadas seguintes. Além disso, a falta de planejamento social para o Rio de Janeiro após a transferência da capital foi um grande desafio. “Ao construir a nova capital, não se considerou o que ocorreria com a antiga. Muitos problemas da cidade do Rio foram ignorados após sua perda de status”, destaca Borba.
