O Cenário de Compras na Volta às Aulas
Em Belo Horizonte, as famílias estão se preparando para gastar menos com material escolar neste ano. De acordo com um estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/UFMG), a intenção de compra de material escolar para 2026 voltou aos níveis observados em 2022. Os números indicam que 30,87% dos consumidores pretendem fazer essa despesa, uma queda em relação aos 33,81% registrados em 2025. Em comparação, em 2022, o índice foi levemente inferior, com 30,48%.
A pesquisa, que ouviu 230 consumidores da capital mineira, revelou que o fator que mais influencia as decisões de compra ainda é o orçamento familiar. Aproximadamente 74,65% dos entrevistados afirmaram que estão dispostos a buscar maneiras de cortar gastos com itens escolares.
Comportamento do Consumidor e a Necessidade de Economia
Paulo Casaca, pesquisador do Ipead, comentou sobre esse comportamento: “Quando a despesa é considerada obrigatória, a tendência é que os consumidores busquem as opções mais baratas possíveis. O material escolar costuma ser visto como um custo elevado, principalmente devido às exigências das escolas.” Minha observação sobre essa situação é que essa busca por economia pode se tornar parte de uma nova prática do consumidor.
Outro dado relevante do levantamento é o aumento da procura por materiais usados. A intenção de compra de livros e apostilas reutilizadas quase dobrou de 2025 para 2026, apresentando um crescimento de 96,23%. Além disso, 50,94% dos entrevistados afirmaram que planejam reutilizar itens do ano anterior, como mochilas e estojos.
Movimento em Direção à Economia Circular
Casaca cita que essa tendência não é apenas uma forma de contenção de despesas, mas também reflete uma mudança de comportamento. “Essa busca por materiais usados está alinhada ao conceito de economia circular, onde o consumidor reconhece vantagens em adquirir um livro usado a um preço inferior, mas com qualidade similar ao novo”, destaca.
Essa dinâmica beneficia tanto quem revende materiais que não serão mais utilizados quanto as famílias que buscam aliviar o impacto financeiro da volta às aulas, criando um ciclo de reaproveitamento que é cada vez mais valorizado.
Compras Física versus Compras Online
Outro aspecto que merece atenção é a queda na intenção de compra pela internet. Em 2026, apenas 45,28% dos consumidores pretendem adquirir material escolar online, um número que diminuiu consideravelmente em relação aos 59,62% do ano anterior. Casaca explica que essa mudança está ligada ao aumento da competitividade no comércio físico e à necessidade de imediatismo dos consumidores. “As lojas físicas estão se esforçando para competir em preços com as lojas online, e quando as diferenças são pequenas, muitos consumidores preferem comprar presencialmente, especialmente quando precisam do produto urgentemente”, afirma.
Esse cenário indica uma nova realidade de comportamento de compra, onde as decisões podem variar de acordo com fatores como prazo de entrega, custo total e a necessidade de obter os produtos de forma imediata.
A Influência das Formas de Pagamento
A forma como os consumidores estão optando por pagar também reflete a pressão financeira no início do ano. O pagamento à vista, seja em dinheiro, débito ou Pix, foi escolhido por apenas 22,54% dos entrevistados, o menor índice desde 2022. Por outro lado, o parcelamento no cartão de crédito se destaca como a principal opção, utilizada por 49,30% dos consumidores.
Segundo a análise do Ipead, essa preferência pelo crédito está intimamente ligada ao acúmulo de despesas nos primeiros meses do ano, que incluem IPVA, IPTU e outros gastos. “Janeiro e fevereiro concentram diversas obrigações financeiras, e o parcelamento é uma estratégia que permite aos consumidores diluir o impacto no orçamento e manter as demais contas em dia”, conclui Casaca.
