Reflexões sobre a vida e legado de Antônio Eduardo Cerqueira de Oliveira
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) comunica com profundo pesar o falecimento de Antônio Eduardo Cerqueira de Oliveira, que foi secretário executivo da entidade entre 2019 e 2023. Antônio Eduardo faleceu na última sexta-feira, 30 de janeiro, em Belo Horizonte (MG), onde enfrentava problemas de saúde que se agravaram nas últimas semanas. Natural de Itabuna, no sul da Bahia, ele dedicou sua vida à luta pelos direitos dos povos indígenas.
Desde sua entrada no Cimi em 1989, Antônio Eduardo trabalhou em estreita colaboração com o povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, que, após a consagração dos direitos indígenas na Constituição Federal, buscava a recuperação de seus territórios. Ao longo de sua trajetória no Cimi, que incluiu um período de nove anos como coordenador do Regional Leste, ele se tornou uma figura central nas mobilizações e lutas de diversos povos indígenas, especialmente na região sul da Bahia.
Em 2019, Antônio foi eleito secretário executivo na XXIII Assembleia Geral do Cimi, onde assumiu a liderança da entidade em um período repleto de desafios. Sua gestão coincidiu com um aumento das ameaças aos direitos dos povos originários, tanto no Congresso Nacional quanto em esferas executivas, que passaram a contar com representantes abertamente contra a causa indígena. Esse cenário se agravou com a volta de práticas autoritárias e discursos de ódio, que tiveram um impacto devastador, especialmente durante a pandemia.
À frente do Cimi, Antônio Eduardo sempre ressaltou a importância de manter a esperança e se inspirar na resiliência dos povos indígenas para enfrentar as adversidades. Em suas palavras, “A luta desses povos nos ensina que é preciso resistir, é preciso continuar”. Ele motivou o Cimi a se manter firme ao lado dos indígenas, mesmo em tempos sombrios.
Durante uma live realizada em 2022, Antônio comentou sobre os desafios que os povos indígenas enfrentam, evidenciando sua experiência e a necessidade do Cimi de estar presente de forma solidária em suas lutas. “Esses povos nunca desistiram”, refletiu, enfatizando que o trabalho realizado nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia era essencial e forjado na solidariedade e no compromisso de vida comunitária.
Como secretário executivo, Antônio Eduardo não se esqueceu dos princípios que guiaram sua atuação desde os primeiros anos no Cimi. Ele sempre destacou a importância da articulação, do diálogo e da presença solidária junto aos povos indígenas, valores que ele colocou em prática ao longo de toda a sua trajetória na missão.
O Cimi lamenta profundamente a partida antecipada de Antônio Eduardo e expressa solidariedade aos familiares neste momento de dor. Sua dedicação amorosa e irrestrita à causa indígena será eternamente reconhecida e lembrada por todos os que lutam por justiça e igualdade. “Segue em paz, Eduardo. Teu compromisso e tua caminhada continuarão sendo referência para nós”, o Cimi conclui, reafirmando a importância de manter viva a luta por Justiça e Bem Viver, pela qual Antônio Eduardo dedicou sua vida.
Que possamos ser, como ele nos inspirava, “sementes teimosas”, seguindo seu exemplo de dignidade e comprometimento. Que a esperança e a luta por um futuro melhor continuem a nos guiar, assim como ele sempre nos conclamou.
