A força da cultura popular no Aldeia Kilombo Século 21
Entre os dias 23 e 27 de setembro, o centro de Belo Horizonte será palco do Aldeia Kilombo Século 21 – 2026, um encontro que reúne capoeiristas, ativistas e grupos ligados à cultura popular. O evento, que já faz parte da agenda cultural da cidade, é uma iniciativa do Mestre João Bosco Alves da Silva, conhecido como Mestre João Angoleiro, fundador do grupo de capoeira Eu Sou Angoleiro, criado em 1993 na capital mineira.
Desde 2005, a Associação Cultural Eu Sou Angoleiro (ACESA) organiza o Aldeia Kilombo, que ao longo dos anos tem se consolidado como espaço de resistência e celebração das manifestações culturais populares, reunindo estilos como capoeira angola, reinados, candombes, dança afro, reggae, hip-hop e samba.
Capoeira e organização coletiva como resistência
Em entrevista ao AND, Mestre João ressaltou que o encontro é resultado do esforço conjunto de diversos participantes, evidenciando a força da organização popular para manter e desenvolver essas manifestações culturais. Ele destacou os desafios que os capoeiristas enfrentam para acessar recursos, além das barreiras impostas por editais e burocracias. Para ele, a capoeira vai além do aspecto esportivo restrito à competição e ao desenvolvimento físico, pois integra canto, movimento corporal e saberes populares transmitidos de geração a geração.
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Essa visão mais ampla reforça a importância da ação coletiva e do apoio popular para garantir a continuidade da capoeira, especialmente diante da falta de recursos e espaços adequados para a prática e difusão dessa cultura.
Desafios da cultura afro-brasileira nas escolas
Mestre João também chamou atenção para a contradição entre o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas e a ausência de infraestrutura para desenvolver manifestações culturais como a capoeira. Ele observa que muitas instituições sequer dispõem de espaço para bibliotecas, tornando inviável a criação de salas acústicas ou ambientes adequados para atividades culturais.
Essa carência estrutural limita o desenvolvimento contínuo de práticas ligadas à cultura popular, comprometendo o contato dos jovens com suas raízes culturais.
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Fonte: noticiasdorecife.com.br
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Fonte: bahnoticias.com.br
Cultura popular como resistência e pertencimento
A cultura popular atua como elemento fundamental na ligação do povo com sua história e no fortalecimento do sentimento de pertencimento. Mestre João alerta para os ataques sofridos por essa conexão, vindos da influência da cultura imperialista e da fragmentação dos valores tradicionais.
Ele aponta que a organização coletiva e a articulação entre diferentes movimentos culturais são formas de resistência ao apagamento das culturas negras e quilombolas. A luta contra o imperialismo, o neopentecostalismo e o fascismo também está entrelaçada nesse processo.
O Aldeia Kilombo, ao reunir mestres e grupos de variadas manifestações culturais em Minas Gerais, segue esse caminho histórico de aproximação e fortalecimento da diversidade cultural. A edição de 2026, que acontece entre 23 e 27 de setembro no centro de Belo Horizonte, promete continuar esse legado de resistência e valorização da cultura popular.
