Aumento nos Preços de Aluguel em BH
Belo Horizonte tem apresentado um aumento significativo nos preços dos aluguéis, com uma alta acumulada de 10,5% nos últimos 12 meses. De acordo com dados do Índice FipeZAP de Locação Residencial, os valores das locações na cidade subiram 0,55% nos primeiros dois meses de 2026, sendo 0,34% registrado em janeiro e 0,21% em fevereiro. Atualmente, o aluguel médio na capital mineira atinge R$ 48,28 por metro quadrado, confirmando uma tendência de valorização contínua no setor.
Apesar desse crescimento, Belo Horizonte ainda apresenta valores de locação inferiores a diversas outras capitais do país. Em uma análise com 22 cidades, a capital mineira se posiciona abaixo de apenas oito em termos de custo de aluguel. As cidades com valores mais baixos incluem Goiânia (R$ 42,52/m²), Fortaleza (R$ 38,02/m²) e Natal (R$ 41,86/m²).
Fatores que Influenciam o Mercado de Aluguel
A economista Paula Reis, do Grupo OLX, aponta que o desempenho robusto do mercado de trabalho é um dos principais fatores para o aumento nos preços dos aluguéis. “A variação acumulada em 12 meses do aluguel em Belo Horizonte está acima da média das cidades monitoradas desde maio de 2025. Um aspecto que pode explicar essa situação é o desempenho do mercado de trabalho, que também apresenta indicadores superiores à média nacional. No quarto trimestre, a taxa de desemprego na cidade foi de 4,8%, enquanto a média nacional ficou em 5,1%, segundo a Pnad Contínua do IBGE”, explica Reis.
O crescimento da ocupação e da renda real também tende a elevar a demanda por aluguéis, especialmente frente ao cenário desafiador do mercado de compra e venda de imóveis. Contudo, a economista alerta sobre a tendência de queda nos reajustes de aluguel desde abril de 2023, o que pode diminuir a diferença entre a variação do preço de locação e a inflação na médio prazo.
Valorizações e Expectativas Futuras
Nos últimos 12 meses, os imóveis de quitinete e de um dormitório em Belo Horizonte apresentaram uma valorização expressiva de 15,19%. Bairros como Gutierrez (43%), Funcionários (19%) e Buritis (18%) lideram a lista de áreas com maior crescimento nos preços. “Belo Horizonte reflete um cenário nacional em que a tendência é de que os reajustes de aluguel superem a inflação, mas com aumentos cada vez mais moderados”, complementa Paula Reis.
Além disso, a demanda crescente por locação, conforme indicado pelo IBGE, corroborou um aumento significativo no número de domicílios alugados no Brasil, que cresceu 45% entre 2016 e 2024. A economista ressalta que, entre 2020 e 2026, a variação acumulada do aluguel foi de 77%, enquanto a inflação foi de 39%, demonstrando um aumento real considerável nos preços.
Impacto do Crédito Imobiliário e Fatores de Contenção
Um fator potencialmente regulador para o futuro é o acesso ao crédito imobiliário por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, que pode pressionar os preços para baixo. “Esse programa oferece linhas de crédito com taxas de juros menores, o que representa um elemento de contrapeso no mercado de aluguéis. Atualmente, R$ 125 bilhões do FGTS estão garantidos para 2026, e espera-se que as parcelas do financiamento se tornem ainda mais acessíveis com a possível queda na taxa básica de juros”, conclui Reis, destacando que, quanto mais altos os aluguéis, mais atrativa se torna a prestação do financiamento imobiliário.
