Audiências do Desastre de Brumadinho Começam com Foco na Justiça
As audiências criminais relacionadas ao trágico desastre de Brumadinho, que impactou Minas Gerais, iniciam-se nesta segunda-feira (23) às 13h, sob a supervisão da Justiça Federal. Ao todo, 17 réus estão envolvidos, incluindo as empresas Vale S.A. e TÜV Süd, além de 16 ex-executivos. O processo deverá se estender até 17 de maio de 2027, com a previsão de 76 audiências de instrução e julgamento, realizadas semanalmente nas segundas e sextas-feiras no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), localizado no bairro Santo Agostinho, em Belo Horizonte.
Os acusados enfrentam sérios crimes, como homicídio e violações ambientais, em decorrência do rompimento da barragem que causou a morte de 272 pessoas. O foco das audiências será a coleta de provas e o depoimento formal dos réus, testemunhas e familiares das vítimas.
Preparativos Especiais para as Audiências
Para garantir a segurança e o apoio emocional durante os julgamentos, o TRF6 implementou medidas especiais. A equipe de segurança foi reforçada e passou por treinamento específico para lidar com pessoas em situação de trauma. Ademais, será realizada uma colaboração com a Polícia Federal, a Polícia Militar de Minas Gerais e a Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte.
Os familiares das vítimas terão acesso a um espaço acolhedor próximo ao tribunal, que oferecerá suporte durante as audiências. Este ponto de apoio contará com assistência médica e psicológica, internet, alimentação e áreas de descanso. Para ampliar o suporte psicológico, o TRF6 firmou um convênio com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), disponibilizando profissionais de saúde mental para atender as famílias impactadas pelo desastre.
“O processo se arrasta há anos. O rompimento ocorreu há sete anos e a ação começou na Justiça estadual antes de ser remetida à Justiça Federal. As 272 vítimas fatais deixaram familiares que aguardam uma resolução. Isso aumenta a carga emocional significativa, exigindo um cuidado especial”, comentou Fernanda Martinez Silva Schorr, juíza federal que coordena o Núcleo de Justiça Restaurativa do TRF6.
Recordando o Fracasso de Brumadinho
O desastre de Brumadinho, que ocorreu em 25 de janeiro de 2019, é considerado um dos maiores desastres ambientais da história não apenas de Minas Gerais, mas do Brasil e do mundo. Às 12h28 daquele dia, a barragem B1 rompeu, desencadeando o colapso de outras duas barragens – BIV e BIVA. O saldo trágico foi a morte de 272 pessoas, incluindo mulheres grávidas e seus bebês. O impacto direto do desastre afetou 26 cidades e 131 comunidades rurais nas redondezas.
Com a liberação de cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos, os efeitos ambientais e socioeconômicos foram devastadores, com destaque para a contaminação do Rio Paraopeba. A barragem B1, que possuía 86 metros de altura e 720 metros de extensão, foi construída em 1976, empregando o método de alteamento a montante pela Ferteco Mineração. Em abril de 2001, a estrutura passou a integrar a Vale S.A. e, na época do rompimento, encontrava-se inativa e em processo de descaracterização.
