Setor Produtivo em Alerta
O recente anúncio de um aumento de quase 9% nas tarifas de ônibus em Belo Horizonte e na região metropolitana repercutiu de forma negativa entre empresários locais. Este ajuste, que entra em vigor a partir de 1º de janeiro, foi recebido com preocupação pelos representantes do comércio, bares, restaurantes e prestadores de serviços, que temem que essa elevação de preços resulte em um aumento no custo de vida para os consumidores, além de frear contratações e provocar demissões.
Com a nova tarifa a ser fixada em R$ 6,25 na capital mineira e entre R$ 6,10 e R$ 62,45 na Grande BH, muitos empresários se mostram alarmados. Jaqueline Bacha, diretora da Associação dos Comerciantes do Hipercentro de Belo Horizonte, expressou sua insatisfação: ‘As empresas que já têm uma margem para absorver esse impacto estão um pouco mais tranquilas. Mas aquelas que operam com orçamentos apertados não conseguem absorver esse aumento diário’.
Ela enfatiza que os lojistas do Centro já esperavam um reajuste após a implementação da tarifa zero aos domingos. ‘Para nós, comerciantes do Centro, isso é extremamente negativo, pois nossos funcionários moram em bairros distantes e dependem do transporte. O Natal foi mediano, e agora, começar o ano com esse desestímulo a empreender é desanimador’, lamenta.
Avaliação de Especialistas
Salvador Ohana, presidente do Sindicato dos Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas), também criticou o reajuste, sugerindo que ele deveria ter sido baseado na inflação oficial, que ficou em 3,81% entre janeiro e novembro. Ele argumentou: ‘O reajuste é necessário, mas deve estar dentro de limites que permitam aos outros setores acompanhá-lo’.
Por sua vez, Nadim Donato, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), alertou para as consequências do aumento no custo das mercadorias para os consumidores, prevendo um impacto direto e significativo sobre o custo operacional das empresas.
Karla Rocha, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), ecoou a preocupação: ‘Qualquer alteração no custo do transporte público influencia diretamente o comércio e os serviços, incluindo bares e restaurantes. Isso afeta o fluxo de clientes, o deslocamento dos trabalhadores e os custos operacionais das empresas’, afirmou. Ela acrescentou que os empresários do setor, que já operam com margens apertadas, precisarão encontrar maneiras de se readequar, considerando que o mercado de trabalho já enfrenta uma escassez estrutural de mão de obra.
Propostas para Mitigar o Impacto
Em resposta ao reajuste, a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) planeja solicitar à prefeitura um prazo de 30 dias para a implementação dos novos valores. O presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva, destacou a importância de uma transição gradual para proporcionar previsibilidade aos trabalhadores e empresários, além de solicitar transparência nos custos do reajuste.
‘Anunciar o aumento com apenas 48 horas de antecedência impacta diretamente o orçamento das empresas e dos trabalhadores’, afirmou, ressaltando os riscos de desestimular o consumo e prejudicar o comércio e os serviços da capital.
Reações da Indústria e do Governo
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também se manifestou contra o aumento, questionando os critérios utilizados para justificar o reajuste. A entidade argumenta que o percentual supera a inflação e não condiz com a evolução dos custos operacionais, como o preço do diesel. ‘Esse aumento pode inviabilizar operações produtivas e criar um cenário de inflação e desemprego’, adverte.
A reportagem buscou uma posição da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), que até o fechamento deste artigo não havia se manifestado. Entretanto, anteriormente, a administração municipal informou que o reajuste anual está previsto em lei e leva em conta os custos com combustível, pessoal, manutenção da frota e tributos. Eles afirmaram que, sem subsídios, o valor real da tarifa seria de R$ 10,30.
A Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) destacou que o reajuste respeita o que estava previsto em contrato e considera os custos operacionais do sistema. ‘O percentual aplicado foi inferior ao solicitado pelas empresas’, concluiu.
