Bancada do PL Se Reorganiza em Belo Horizonte
A Câmara Municipal de Belo Horizonte, que historicamente se alinha à administração do Executivo, testemunha uma mudança significativa com a bancada do PL adotando uma postura de oposição estruturada em relação à Prefeitura. Essa decisão reflete não apenas divisões internas, mas também a formação de um grupo de vereadores que se comprometeu a priorizar a fiscalização e o controle institucional em seus mandatos.
Tradicionalmente associado a pautas morais, o PL rapidamente percebeu que tal abordagem não bastava para atender às demandas da população. Durante uma reunião pré-positura com os deputados Nikolas Ferreira e Bruno Engler, os integrantes do partido alinhavaram um diagnóstico claro: defender valores sem uma atuação efetiva em áreas críticas como saúde, transporte e serviços públicos poderia enfraquecer o papel do vereador.
Assim, um núcleo mais ativo começou a se formar dentro do partido, reunindo os vereadores Pablo Almeida, Uner Augusto, Vile e o sargento Jaylson. Em contrapartida, Marília Portela e Cláudio do Mundo Novo, que permanecem com cargos na administração municipal, são vistos como parte da base governista.
Estratégias Divergentes na Fiscalização
Os dois grupos dentro da bancada do PL diferem notavelmente em suas abordagens. Enquanto uma parte investe em contato direto com o Executivo, a outra se dedica a utilizar rigorosamente os instrumentos formais do Legislativo, como pedidos de informação e fiscalizações em campo. Essa estratégia mais direta visa garantir que a voz da oposição seja ouvida em questões fundamentais para a cidade.
Como novo líder da bancada, Pablo Almeida tem focado em ações que evidenciem a atuação do partido. Recentemente, ele centralizou esforços em obter informações sobre as obras da trincheira da Avenida Cristiano Machado, após reclamações de moradores. Além disso, fez questionamentos ao Tribunal de Contas sobre o aumento da tarifa de ônibus e as implicações do subsídio cruzado vinculado à tarifa zero nos fins de semana.
Outra ação importante foi a proposta de uma ação popular que visa suspender um contrato de R$ 822 mil da Belotur para turismo na Lagoa da Pampulha, fundamentada em falhas apontadas no processo de habilitação da empresa vencedora.
Atuação Individual e Coletiva dos Vereadores
Uner Augusto, por sua vez, se destacou ao concentrar os pedidos de informação na Câmara, se especializando na estrutura administrativa da prefeitura. Informações de pessoas próximas indicam que ele sabe exatamente onde insistir para obter dados que muitas vezes não são apresentados de maneira espontânea pela PBH.
A avaliação interna no PL é de que as respostas frequentemente só chegam após insistentes cobranças, reforçando o papel fiscalizador do Legislativo. Já Vile, um dos vereadores mais combativos, focou sua atuação na regulamentação dos radares de trânsito e no acompanhamento das políticas públicas nas áreas sensíveis da cidade.
Jaylson, além de sua participação na articulação interna do PL, apresentou projetos voltados à segurança urbana e ao ordenamento urbano, onde ele construiu sua trajetória política. Recentemente, ele cobrou da prefeitura a promessa de aumentar em 500 o efetivo da Guarda Municipal, mas até agora não obteve resposta.
Relação Institucional com o Executivo
Embora mantenham uma postura crítica em relação à administração municipal, os vereadores do PL fazem questão de diferenciar sua relação institucional com a prefeitura da sua relação política com o secretário Marcelo Aro, que é visto como uma liderança central no Legislativo. Todos os vereadores mencionados destacam que a relação com Aro é respeitosa e institucional.
Fiscalização e Comparações com o PT
Nos corredores da Câmara, comparações são feitas entre a atuação do PL e a do vereador Pedro Patrus (PT), que também tem utilizado frequentemente os pedidos de informação como uma ferramenta de fiscalização. Filho do ex-prefeito Patrus Ananias, Pedro é atualmente a única voz do PT sem cargos na prefeitura e sua posição o torna mais independente nas suas atividades.
Movimentações no Setor Público
Do lado estadual, o deputado Ricardo Campos (PT-MG) protocolou representações no Tribunal de Contas e no Ministério Público de Minas Gerais em relação aos aumentos tarifários da Copasa e Copanor, que devem entrar em vigor em breve. Ele busca garantir a transparência nos critérios utilizados para as revisões tarifárias.
Em outra frente, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) cumpriu a condenação de R$ 65,5 mil à deputada Duda Salabert (PDT-MG) por transfobia, um caso que teve repercussão significativa e que reforça a importância do debate sobre direitos e respeito na esfera política.
