Dificuldades Fiscais e a Selic
Na última terça-feira (3), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou a ata de sua reunião mais recente, onde optou por manter a taxa de juros em 15% ao ano. Contudo, os membros do comitê indicaram que se preparam para iniciar a redução da Selic em sua próxima reunião, agendada para março.
De acordo com a autarquia, a extensão dos cortes na taxa de juros será determinada com base nas informações que surgirem sobre inflação, emprego e o desempenho do PIB. Contudo, o Banco Central reconhece a necessidade de manter a Selic em níveis elevados para garantir a continuidade do processo de desinflação.
A economista Marcela Kawauti, em entrevista ao CNN Money, alertou que ainda existem fatores que podem adiar a redução dos juros. Um deles é a possível deterioração das contas públicas. “Existem riscos associados a esse cenário, especialmente em relação ao câmbio. Se houver flutuações significativas, poderemos ver uma piora na inflação. Além disso, as questões fiscais têm sido uma preocupação estrutural há bastante tempo”, afirmou Kawauti.
O Banco Central admite que as incertezas fiscais podem pressionar a taxa de juros neutra da economia, um indicador essencial na formulação de sua política monetária. No entanto, não há sinais de melhora nesse aspecto. Profundando a situação, a crescente elevação dos gastos públicos e o pagamento de juros continuam a preocupar.
Em uma recente votação, a Câmara dos Deputados aprovou reajustes e alterações nas remunerações dos servidores do Congresso, permitindo que alguns deles recebam salários superiores ao teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46 mil. Essa aprovação ocorre em um cenário onde a percepção pública sobre as contas do governo é predominantemente negativa.
Uma pesquisa realizada pelo movimento Orçamento Bem Gasto revelou dados alarmantes: 55% dos brasileiros acreditam que o país gasta muito mais do que pode, enquanto 20% afirmam que o governo gasta um pouco mais do que deveria. Apenas 8% dos entrevistados consideram que os gastos federais estão adequados.
Quando questionados sobre a situação fiscal, 29% dos brasileiros classificam as contas públicas como péssimas, 20% como ruins, 23% como regulares e apenas 5% como ótimas.
Essas opiniões refletem um clima de preocupação em relação à saúde fiscal do país, o que, segundo analistas, pode impactar diretamente a confiança do consumidor e dos investidores, reforçando a importância da prudência fiscal neste momento crítico.
