A Folia Descentralizada e a Democratização do Jazz
O Carnaval de Belo Horizonte se destaca pela descentralização da folia e pela inclusão de diferentes ritmos, e nesta terça-feira, o bloco Magnólia promete animar as ruas do bairro Caiçara. Flávio Maia, um dos fundadores do bloco, revela que a ideia de criar essa alternativa aos circuitos tradicionais surgiu a partir do desejo de democratizar a festa.
‘O Magnólia teve seu primeiro cortejo em 2014. Mas antes disso, em 2013, costumávamos nos reunir em um bar, tocar e celebrar. E foi assim que surgiu a ideia: ‘Por que não fazer um bloco no nosso bairro?’. A intenção era tornar o Carnaval mais acessível, especialmente em um período em que a folia estava concentrada no Centro-Sul da cidade’, explica Maia.
O repertório escolhido pelo grupo busca romper com a ideia de que o jazz é um estilo elitista. A proposta é adaptar o gênero musical para a festa popular mineira. ‘Queremos fazer algo diferente. Então decidimos: ‘Vamos trazer jazz para o Carnaval’. Já são 12 anos de trabalho nessa direção, oferecendo um jazz instrumental que se conecta com o público. Nosso carnaval é para todos, é jazz democrático’, enfatiza Maia.
A sonoridade do Magnólia não se limita apenas aos clássicos do jazz norte-americano. O bloco também faz questão de homenagear artistas brasileiros que têm forte ligação com a comunidade local. ‘Além de tocar os tradicionais, como Duke Ellington e Louis Armstrong, incluímos as brasilidades. Tocamos Tim Maia e também Marco Ribas, um artista que viveu perto da rua Magnólia, onde começamos nossa trajetória. Assim, unimos o tradicional ao nosso jeito brasileiro de fazer música’, destaca o músico.
A concentração do bloco acontecerá nas primeiras horas da manhã do dia 17 de fevereiro, oferecendo um ponto de encontro de fácil acesso ao público. ‘A partir das 8 horas, na rua Magnólia 675, esquina com a avenida Presidente Carlos Luz. O local é tranquilo e fácil de chegar, garantindo que todos possam aproveitar a festa’, conclui Maia.
