Crise Política e Impacto no Setor de Petróleo
A Venezuela enfrenta um momento crítico. Recentemente, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa foram detidos por forças norte-americanas, causando um efeito dominó em sua já delicada situação política. Com a nova vice-presidente, Delcy Rodríguez, assumindo o comando em meio a ameaças de intervenção militar dos EUA, o país sente os reflexos dessas mudanças.
As exportações de petróleo, que são a base da economia venezuelana e fazem parte da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), entraram em colapso após os Estados Unidos imporem um bloqueio a navios-tanque sob sanções. Em um golpe adicional, dois carregamentos de petróleo foram apreendidos no mês passado, complicando ainda mais a já frágil situação. Embora as operações da Chevron, uma petrolífera americana, continuassem graças a uma licença do governo dos EUA, até mesmo estas foram interrompidas, gerando ainda mais incertezas sobre o futuro do setor.
Embargo e Controle Interino dos EUA
Em um comunicado que causou alvoroço, o então presidente Donald Trump anunciou que um “embargo ao petróleo” estava em pleno vigor, após a detenção de Maduro. Trump falou sobre a intenção dos EUA de “administrar” a Venezuela de forma interina, mas o tom do secretário de Estado, Marco Rubio, que se seguiu, foi mais cauteloso. Ele declarou que os EUA não se envolveriam diretamente no governo, porém não hesitaram em deixar claro que a “quarentena do petróleo” permaneceria.
Rubio, em uma entrevista ao programa Face the Nation da CBS, destacou que a ação visa pressionar por mudanças na política interna da Venezuela. A ideia é que as medidas adotadas não apenas melhorem a gestão do setor petrolífero, mas também interrompam o tráfico de drogas, o que demonstra a complexidade da situação econômica e social do país.
Fechamento de Campos e Produção em Queda
As medidas da estatal PDVSA incluem o fechamento de campos de petróleo, uma ação drástica impulsionada pelo excesso de estoques e pela falta de diluentes necessários para transportar o petróleo extrapesado, característico da Venezuela. Informações da Reuters indicam que a empresa solicitou cortes de produção em joint ventures, incluindo a Petrolera Sinovensa, da CNPC, e a Petropiar, da Chevron. A Petromonagas também começou a reduzir sua produção, aguardando a normalização do fornecimento de diluentes.
Os trabalhadores da Sinovensa se prepararam para desligar até dez conjuntos de poços. Apesar de sua produção ser tradicionalmente destinada à China, dois superpetroleiros chineses interromperam a navegação, refletindo a gravidade da crise no setor. A Chevron, embora ainda não tenha reduzido suas operações, enfrenta limitações no armazenamento e pode ter que cortar a produção em breve.
O Potencial Petrolífero da Venezuela
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris. Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores, como a Arábia Saudita e o Irã. Contudo, a maior parte do petróleo venezuelano é extrapesado, o que requer tecnologia avançada e investimentos significativos para sua extração. Mesmo com esse potencial, o setor se vê subaproveitado devido a uma infraestrutura deficiente e às sanções internacionais que limitam as operações e o acesso a capital.
Nas últimas décadas, a produção de petróleo na Venezuela despencou, passando de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para cerca de 665 mil barris em 2021. Embora tenha havido certa recuperação no último ano, a produção ainda representa menos de 1% do total global, um reflexo da crise profunda que o país atravessa.
Uma História de Dependência
Historicamente, o petróleo tem moldado a economia venezuelana. Desde as grandes descobertas nas décadas de 1920 e 1930, o país se destacou como um dos maiores produtores do mundo e ajudou a fundar a Opep em 1960. A nacionalização da indústria petrolífera em 1976, criando a PDVSA, transformou o setor em um monopólio estatal. Ao longo dos anos, sob a liderança de Hugo Chávez, uma parte significativa da renda do petróleo foi direcionada a programas sociais, em detrimento de outros investimentos.
Com a queda na produção, as sanções internacionais agravaram a crise, resultando em uma inflação insustentável. Em 2019, os preços subiram 344.510%, uma situação desesperadora para a população venezuelana que, dia após dia, enfrenta a realidade de um país em colapso.
