A Revolução das Bolsas Artesanais
Fios se entrelaçam, cores vibrantes se destacam e a arte do crochê ganha novas direções. Essa é a história de Márgelo Barbosa, um empreendedor de Belo Horizonte, que viu seu trabalho artesanal se espalhar pelo Brasil e até pelo exterior, começando pela Feira Hippie, um clássico da capital mineira.
Com a produção de bolsas de crochê, macramê e tressê, a vida de Márgelo mudou radicalmente após a viralização de um vídeo exibindo suas criações nas redes sociais. Em um piscar de olhos, sua base de seguidores pulou de cerca de 100 para mais de 2 mil, e as vendas, que antes eram esporádicas, tornaram-se uma verdadeira avalanche. “Eu vendia cinco bolsas em menos de 15 minutos”, recorda ele, surpreso com a velocidade das mudanças.
A trajetória de Márgelo no artesanato não começou com a internet. Antes de se tornar um nome conhecido, ele trabalhou como cabeleireiro, maquiador, vitrinista e decorador de eventos. Contudo, ele nunca abandonou sua banquinha de artesanato nas feiras de Belo Horizonte, mantendo viva a chama do seu talento criativo.
Da Tradição à Sustentabilidade
O amor pelo artesanato de Márgelo remonta à década de 1970, quando vendia chapéus. Com o passar dos anos, ele experimentou diferentes materiais, passando por bolsas de couro até chegar a optar por técnicas e insumos mais sustentáveis. Há quatro anos, decidiu investir cerca de R$ 1 mil em fios e se concentrar na produção de bolsas de crochê, uma aposta que se mostrou acertada.
“A inspiração vem de onde eu menos espero. Às vezes, eu crio sonhando ou até dormindo”, revela. Suas criações destacam técnicas tradicionais, como o “quadradinho da vovó”, mas com um toque contemporâneo e cores ousadas que atraem a atenção do público.
Com o aumento repentino da demanda, a produção precisou ser reorganizada. Atualmente, cerca de 25 crocheteiras, que trabalham em casa com orientações de tamanhos e acabamentos, fazem parte da equipe. Para muitas delas, essa oportunidade representou uma transformação significativa em suas vidas, permitindo que deixassem empregos anteriores para se dedicarem exclusivamente ao artesanato, encontrando na produção de bolsas uma nova fonte de renda e realização pessoal.
Um Crescimento que Transcende Fronteiras
As peças, que variam de R$ 70 a R$ 420, são comercializadas tanto na Feira Hippie quanto pela internet, resultando em uma média de 120 bolsas vendidas por mês, o que garante um faturamento de R$ 30 mil. O sucesso também trouxe novos membros da família para o negócio; a irmã de Márgelo, Margely Barbosa, assumiu a responsabilidade pelas vendas online e pela logística, além das exportações.
As bolsas já conquistaram clientes em lugares como Los Angeles e começaram a ser vendidas em regiões turísticas famosas, como Trancoso, Arraial da Ajuda e Campos do Jordão. Além disso, há pedidos até de países como a Índia, mostrando como o trabalho artesanal mineiro está ganhando destaque internacional.
Cada coleção de bolsas é batizada com nomes que homenageiam as primeiras clientes que as adquiriram. Para quem usa, essas peças são mais do que simples acessórios; “A bolsa traz uma história. Ela tem personalidade e nos acompanha em muitos momentos da vida”, conta uma cliente.
O Futuro nas Mãos do Artesão
Aos 70 anos, Márgelo continua aprendendo a empreender no digital, sem a intenção de desacelerar. Entre seus planos, está a criação de uma cooperativa de crocheteiras, que visa expandir a produção e promover o compartilhamento de conhecimentos entre as artesãs. “Acredito no meu sonho e sigo em frente sem medo”, conclui, com a determinação que sempre o acompanhou.
