Reavaliação no Projeto do BRT Amazonas
Ainda que o financiamento tenha sido aprovado pela Câmara Municipal de Belo Horizonte, a realização de um corredor exclusivo para ônibus articulados na Avenida Amazonas, uma das principais artérias da capital mineira, enfrenta novos desafios. Em um aviso publicado no Diário Oficial do Município (DOM) na última sexta-feira, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi) informou a intenção de revogar a licitação que já contava com um vencedor.
A licitação anterior tinha como objetivo a contratação de estudos e projetos de engenharia para a criação do terminal de integração do BRT Amazonas, seguindo um modelo similar ao das avenidas Cristiano Machado e Antônio Carlos. O edital, lançado em abril de 2025, havia declarado a segunda colocada como vencedora, mas foi suspenso em dezembro do mesmo ano. O valor estimado do contrato era de R$ 20,5 milhões, com um prazo de execução de 28 meses. Ao ser questionada, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) não esclareceu como ficará a situação da empresa diante da intenção de revogação.
Novas Diretrizes e Estratégia da PBH
No recente aviso do DOM, a PBH informou que o modelo anteriormente adotado não se alinha mais com as novas diretrizes que a administração deseja implementar. Fatores inesperados, segundo a gestão, levaram à reavaliação do cronograma e da forma de contratação dentro do Programa de Melhoria da Mobilidade e Inclusão Urbana no Corredor Amazonas, que conta com financiamento do Banco Mundial.
A revisão resultou na reformulação do plano para um modelo de contratação integrada, onde uma única empresa ou consórcio será responsável pela elaboração dos projetos e pela execução das obras. Antes, eram previstas duas licitações distintas: uma para os projetos e outra para as obras. A PBH argumenta que a continuidade da licitação anterior “não atende mais ao interesse público”, o que implica a reinicialização de etapas já em andamento, atrasando um cronograma que já enfrenta constantes revisões.
Prazo para Manifestações e Nova Comissão de Licitação
A revogação da licitação abriu prazo de cinco dias úteis para que manifestações sejam apresentadas antes da decisão final. Nesse mesmo período, uma nova publicação no DOM estabeleceu a criação de uma Comissão Especial de Licitação, responsável por conduzir a contratação. Essa comissão, composta por representantes da Superintendência de Mobilidade do Município (Sumob), da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMUR) e da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), terá a missão de gerenciar estudos, projetos e obras necessárias para a implementação do terminal de integração do BRT Amazonas, além de melhorias viárias na região.
Expectativas de Entrega e Financiamento do Projeto
Esse novo desdobramento se insere em um histórico de incertezas em torno do BRT da Amazonas, que integra o Plano Diretor de Mobilidade Urbana de Belo Horizonte. Anteriormente, as obras haviam sido anunciadas para início no ano passado. Em junho de 2024, o ex-prefeito Fuad Noman (PSD) assinou a ordem de serviço para os estudos e projetos que iriam avaliar a viabilidade e concepção do projeto. Contudo, no final do mesmo ano, o ex-presidente da Sumob, André Dantas, afirmou que a entrega do BRT estava prevista para 2028, uma informação que foi repetida pela prefeitura em dezembro de 2025.
Apesar das incertezas, o financiamento do projeto está assegurado. Em dezembro do ano anterior, a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei 903/2024, que permite à PBH a contratação de 50 milhões de euros (cerca de R$ 315,5 milhões) junto à Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). Essa proposta, que já havia sido aprovada anteriormente, voltou ao Legislativo para ajustes solicitados pelo Tesouro Nacional.
Desafios na Mobilidade Urbana de Belo Horizonte
O corredor BRT Amazonas é visto como uma das principais estratégias da gestão municipal para aliviar o trânsito na Região Oeste de Belo Horizonte e aprimorar a eficiência do transporte coletivo. Atualmente, cerca de 835 mil passageiros utilizam diariamente a Avenida Amazonas, que conecta a cidade a várias localidades da região metropolitana, sendo um dos pontos mais críticos de congestionamento. Desde 2006, pouco se fez em termos de intervenções viárias, quando o asfalto foi renovado para um evento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A via enfrenta problemas estruturais e operacionais que precisam ser resolvidos.
Integração com o Barreiro
Com intervenções planejadas ao longo de 8,6 quilômetros da Avenida Amazonas, o projeto do BR Amazonas visa modernizar a infraestrutura para suportar ônibus articulados, ligando a Praça Sete, no Centro, às estações de integração no Barreiro. Além disso, o projeto inclui a ligação com a futura linha 2 do metrô de Belo Horizonte e melhorias no sistema viário circundante.
As faixas preferenciais existentes serão substituídas por corredores segregados para transporte coletivo, que incluirão canteiros centrais, estações de transferência e um padrão semelhante ao dos eixos do Move. Estão programadas mais de 24 quilômetros de faixas exclusivas, além de melhorias em infraestruturas como baixios de viadutos e intervenções pontuais, com estudos em andamento. A expectativa é de que haja modificações em 39,6 quilômetros de vias, abrangendo a Avenida Amazonas e ruas da região do Barreiro.
