Fim das Buscas e Desafios na Identificação de Vítimas
Neste domingo (25), o rompimento da barragem em Brumadinho completa sete anos, marcando o encerramento das buscas por vítimas, mas permanecendo duas pessoas ainda não localizadas: o engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e a estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, 100% dos rejeitos despejados na área do desastre foram analisados. A expectativa é que todos os equipamentos utilizados nas operações sejam retirados até a primeira quinzena de fevereiro. Desde o início da tragédia, mais de 5 mil militares de Minas Gerais participaram das buscas, recebendo suporte de corporações de outros estados. Ao todo, foram realizadas mais de 1.600 horas de voo com o auxílio de 31 aeronaves, além da contribuição de ao menos 68 cães e 120 máquinas.
Operação Histórica de Busca
A operação de busca em Brumadinho é considerada a maior da história do Brasil. A lama da barragem da Vale se espalhou por aproximadamente 290 hectares, afetando não apenas as instalações da mineradora, mas também imóveis, plantações e o Rio Paraopeba.
As estratégias de busca mudaram ao longo dos anos. Nos primeiros dias após o rompimento, o foco principal era encontrar sobreviventes. Em 2021, foi implantada a oitava e última estratégia, que consistia na utilização de estações de busca. Esses equipamentos realizavam um tipo de “peneiramento” para separar rejeitos de possíveis objetos de interesse, incluindo restos humanos.
Embora as buscas tenham sido oficialmente encerradas, a operação continua em outra escala. A Polícia Civil de Minas Gerais segue analisando os segmentos humanos encontrados em Brumadinho, cuja quantidade exata não foi divulgada. O trabalho de identificação desses restos continua em andamento.
Histórias de Vítimas e Família
A tragédia da Vale em Brumadinho resultou em 270 mortes, incluindo duas gestantes. Ao longo de sete anos, apenas duas vítimas não foram localizadas. Nathália, de 25 anos, estava na empresa há apenas quatro meses quando ocorreu a tragédia. No momento do desastre, ela estava conversando com o marido por telefone e, ao perceber a aproximação da lama, clamou: “Deus, me dá o livramento”. Ela deixa dois filhos pequenos, de 3 e 4 anos.
A prima de Nathália, Tânia Efigênia de Oliveira Queiroz, expressou sua dor e esperança: “O que a gente está mais sentindo é a impunidade. Até então ninguém foi preso, não teve justiça, e a gente fica triste com isso. Nós perdemos nossas joias e caímos no esquecimento”.
Tiago Tadeu Mendes da Silva, que era engenheiro mecânico recém-formado, tinha sido transferido para Brumadinho cerca de 20 dias antes do desastre. Ele deixa esposa e dois filhos, incluindo um bebê de apenas 8 meses.
Nos últimos anos, a mãe de Tiago, Lúcia Aparecida Mendes Silva, clamou pelo fim das buscas, já que não tinha mais esperanças de encontrar o corpo do filho. “Imagina dormir e acordar esperando o telefone tocar. Já perdi as esperanças, a Vale não entregou nem nunca vai entregar o corpo do meu filho para mim. Eu suplico que parem com as buscas”, desabafou ao g1 em 2024.
As histórias de Tiago e Nathália ainda ecoam entre familiares e amigos, reforçando a necessidade de justiça e memória para os que perderam suas vidas na tragédia.
