Cerimônia às Vítimas e Clamor por Justiça
No último domingo, Brumadinho vivenciou um ato simbólico em memória das vítimas do trágico rompimento da barragem da Vale, que ocorreu há sete anos. O Memorial Brumadinho, que celebra um ano de sua inauguração, organizou um concerto e uma visita guiada ao local, além de um ato de homenagem em um letreiro que destaca o nome da cidade. A ocasião não apenas se prestou a lembrar os que perderam suas vidas, mas também a reforçar a exigência de justiça, uma vez que o processo criminal está previsto para começar em fevereiro deste ano, quando testemunhas serão ouvidas, com previsão de conclusão em maio de 2027.
O encerramento das buscas por desaparecidos, realizado pelos bombeiros, marca um ponto significativo na história da tragédia. Após uma vistoria completa na área afetada, restam apenas duas pessoas desaparecidas: o engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e a estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo.
Romaria pela Ecologia Integral
Além do ato em memória às vítimas, no mesmo dia, aconteceu a sétima edição da Romaria pela Ecologia Integral em Brumadinho, que se estendeu até às 14h. Familiares e sobreviventes expressaram sua indignação com a lentidão do processo judicial e a importância de recordar a tragédia para evitar que eventos semelhantes se repitam no futuro.
A cerimônia começou às 11h, e um letreiro decorado com fotos dos falecidos formou o nome da cidade, servindo de tributo tocante.
Concertos e Visitas no Memorial
No mesmo dia, a Orquestra Opus apresentou um concerto exclusivo no Memorial Brumadinho, em parceria com a cantora Fernanda Takai, a partir das 16h. O repertório, que incluiu canções como “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, de Lô Borges, e “Canção Para Você Viver Mais”, do Pato Fu, proporcionou momentos emocionantes para os presentes.
Antes do concerto, uma visita mediada gratuita foi conduzida pelo Educativo do memorial, abordando os eventos que precederam o rompimento da barragem e suas consequências. Os participantes puderam explorar todo o memorial, incluindo o bosque com 272 ipês amarelos, que foram plantados em homenagem às vítimas fatais, e a escultura-monumento que compõe o espaço.
Um Lembrete Doloroso da Tragédia
O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, que ocorreu em 25 de janeiro de 2019, resultou em 270 mortos, incluindo duas gestantes, e despejou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração, devastando comunidades e poluindo o Rio Paraopeba.
Em janeiro de 2023, o Ministério Público Federal denunciou 16 indivíduos, incluindo a própria Vale e a consultoria Tüv Süd, pela tragédia. A Justiça Federal aceitou as denúncias, e todos os denunciados se tornaram réus no processo.
Segundo as investigações, a Tüv Süd, ciente das condições precárias da barragem, emitiu declarações de estabilidade da estrutura, com um fator de segurança abaixo dos padrões internacionais recomendados. A Vale, por sua vez, teria apresentado essas declarações às autoridades, mesmo sabendo da situação.
Recentemente, em março de 2024, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) concedeu habeas corpus ao ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, suspendendo a ação penal contra ele, por considerar que não havia provas suficientes de sua participação nos crimes investigados, reduzindo o total de réus para 17. Entretanto, o MPF recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que começou a analisar o caso em setembro de 2025, com o julgamento ainda em andamento.
Posicionamento da Tüv Süd
Em nota, a Tüv Süd declarou que não possui responsabilidade legal pelo rompimento da barragem. A empresa afirmou que a emissão das declarações de estabilidade seguiu a legislação vigente e padrões técnicos, e que uma vistoria realizada pelas autoridades em novembro de 2018 comprovou a ausência de problemas de segurança.
