Um Tributo à Memória de Teuda Bara
“Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz”, ecoou a voz marcante de Teuda Bara (1941-2025) na emblemática canção “Mamãe Coragem”, que marcou sua última participação no espetáculo “Cabaré Coragem”. Embora essa performance de Caetano Veloso e Torquato Neto não esteja mais presente nas novas apresentações, a memória de Teuda, que faleceu há um mês, permanece viva entre os integrantes do grupo e o público.
No clímax do espetáculo, o coração da Madame, a figura central do cabaré e uma das personagens mais emblemáticas, é simbolicamente arrancado na última canção. “Agora, deixaremos o coração o tempo todo em cena, para manter o lugar dela”, declara Júlio Maciel, ator do Galpão e diretor do novo formato de “Cabaré Coragem”.
Após uma pausa, Maciel retorna ao papel, substituindo Teuda nas apresentações de sábado (31/1) e domingo (1º/2) no Sesc Palladium, inseridas na Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Vale ressaltar que os ingressos para essas sessões já estão esgotados.
Um Novo Olhar Sobre o Espetáculo
“Vou entrar nas duas apresentações como o neto e herdeiro de Madame. Ele será um patrão com um pulso tão forte quanto o dela”, acrescenta Maciel, ressaltando que este é o primeiro espetáculo do Galpão após a pandemia. “Cabaré Coragem” representa o reencontro dos artistas com o público, apresentando uma narrativa sobre a vida de artistas envelhecidos que, apesar do tempo, ainda têm muito a oferecer.
Maciel lembra que, devido à saúde debilitada de Teuda, ela enfrentava dificuldades para se movimentar e não conseguiu comparecer a todos os ensaios. No entanto, sempre que estava presente, era motivo de celebração para o grupo, que construiu “Cabaré Coragem” em torno da sua figura.
Referências e Mudanças no Repertório
O espetáculo, que tem a influência do renomado dramaturgo Bertolt Brecht, inclui a poética “Balada do soldado morto”, que foi transformada em canção e gravada por Cida Moreira, uma colaboradora do processo criativo. Júlio Maciel interpretará essa nova canção em substituição à “Mãe Coragem”.
Além disso, uma fala de Brecht, que Teuda costumava pronunciar, será substituída por uma homenagem feita por Paulo José, extraída do espetáculo “Um homem é um homem”, dirigido pelo ator e diretor gaúcho em 2005. Essas alterações ainda não foram testadas, pois após a perda de Teuda, o grupo não teve a oportunidade de se reunir. A primeira reunião após as férias de janeiro está agendada para amanhã (26/1), na sede do Galpão, onde as atividades de ensaio para as próximas apresentações terão início na quarta-feira (28/1).
Reflexões Sobre a Perda e o Futuro do Espetáculo
A perda de Teuda foi sentida profundamente entre os membros do grupo. “Como o Beto (Franco, ator do Galpão) mencionou, ela era amiga, mãe, irmã e, por vezes, filha para muitos de nós. Sua presença era intensa e energética, e agora estamos enfrentando o desafio de retomar o espetáculo em um momento tão delicado”, reflete Maciel.
Para ele, a continuidade de “Cabaré Coragem” no repertório é uma forma de honrar a memória de Teuda. O grupo já considera a possibilidade de levar o espetáculo para o Rio de Janeiro ainda este ano. Maciel observa com um toque de humor que, apesar de estar interinamente assumindo o papel de Madame, outros “herdeiros” podem surgir ao longo do caminho, mantendo viva a herança artística de Teuda Bara.
