A Marcha de Nikolas Ferreira e os Riscos Enfrentados
A caminhada organizada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) — em protesto pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e os eventos de 8 de Janeiro — atingiu neste sábado (24) seu sexto dia. O percurso de aproximadamente 240 km, iniciado em Paracatu, Minas Gerais, e que se destina a Brasília, tem sido marcado por alertas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre os riscos de aglomerações e por relatos de lesões de participantes. O evento, amplamente divulgado nas redes sociais, tem atraído apoiadores e parlamentares, mas também inquietações quanto à segurança durante o trajeto.
Participação e Preocupações com a Segurança
O ponto de partida da marcha foi escolhido em Paracatu, cidade que faz fronteira com Goiás. Nikolas iniciou a jornada na segunda-feira, vestido de forma casual com calça jeans, camisa branca e tênis de corrida. No dia seguinte, outros parlamentares, como os deputados Luciano Zucco (PL-RS) e Carlos Jordy (PL-RJ), assim como Lucas Pavanato (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (PL), se juntaram à marcha. O senador Magno Malta (PL-ES), mesmo em recuperação de uma cirurgia nos joelhos, participou da caminhada em uma cadeira de rodas.
Entretanto, a PRF acendeu um alerta importante. Em nota ao GLOBO, a corporação confirmou que notificou formalmente o gabinete do deputado sobre os riscos operacionais associados ao deslocamento pela BR-040, a rodovia utilizada pelos marchantes. A PRF destacou que enviou um ofício ressaltando a necessidade de medidas para mitigar riscos à segurança, enfatizando a responsabilidade do parlamentar como organizador do evento.
Assessoria e Reações Políticas
Em resposta, a assessoria de Nikolas afirmou ter recebido um e-mail da PRF, onde o órgão se colocou à disposição para colaborar na segurança dos participantes. O deputado mantém comunicação ativa com as autoridades do Distrito Federal.
Por outro lado, figuras do PT, como Lindbergh Farias (RJ) e Rogério Correia (PT-MG), manifestaram por meio de suas redes sociais o pedido para que a PRF interrompesse a caminhada. Lindbergh criticou a situação, apontando que é proibido andar no acostamento de uma via federal, e mencionou a presença de aeronaves que pousam nas margens da BR para acompanhar a marcha.
Desafios e Lesões Durante o Trajeto
Os participantes não apenas enfrentaram os desafios da marcha, mas também relataram ferimentos e desconfortos. Após 144 km, Nikolas divulgou imagens de seus pés, que estavam inchados e com ferimentos. Outros marchantes compartilharam fotos com os pés cobertos de bolhas e lesões. O vereador Fernando Holiday (PL) revelou que sofreu uma lesão no joelho, necessitando de atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que acompanha a caminhada desde o início, relatou estar com o pé machucado, e André Fernandes (PL-CE) também mencionou que teve que parar para tratar calos.
Reações da Esquerda e Provocação Musical
Parlamentares alinhados ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva usaram suas redes sociais para criticar a marcha. Correia qualificou o ato de Nikolas como “uma encenação para comover o país” em defesa de Bolsonaro, desacreditando a eficácia da estratégia. A deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) ironizou, alegando que Nikolas faz de tudo para evitar o trabalho, enquanto o vereador Pedro Rousseff (PT-MG) descreveu o protesto como uma tentativa de “defender bandidos”.
Durante a marcha, um momento curioso foi protagonizado por um militante do PT, que se apresentou ao grupo com um berrante e trompete, provocando: “Cuidado! Tem gado solto na pista”, em um registro que viralizou nas redes sociais.
