Espetáculos que exploram a condição humana
No coração da programação da 51ª Campanha de Popularização do Teatro e Dança, as bailarinas Dudude Herrmann e Lina Lapertosa se destacam com a performance “Q BRÔ”, que traz uma proposta de improviso e reflexão sobre o significado do verbo “quebrar”. As artistas, que apresentam a montagem na Funarte entre os dias 9 e 11 de janeiro, mergulham em movimentos que refletem suas experiências e vivências no universo da dança. A apresentação é uma das estreias na atual edição do evento, que reúne impressionantes 41 espetáculos ao longo do fim de semana.
Dudude compartilha que “Q BRÔ” teve sua primeira apresentação em junho do ano passado, no CCBB de Belo Horizonte, onde a montagem surpreendeu a todos com casa cheia por três semanas consecutivas. “Esse espetáculo fala da natureza humana, não se limita às normas sociais, mas à arte e à invenção”, comenta. Para ela, cada espectador interpreta a obra de forma única, o que enriquece ainda mais a experiência teatral.
Uma jornada de superação e reflexão
A construção de “Q BRÔ” começou em 2019, na residência de Dudude em Casa Branca, quando o nome surgiu de um momento inusitado: um prato que caiu e se quebrou durante um café entre as bailarinas. A pandemia e uma lesão no pé de Dudude interromperam o projeto, mas a vontade de expressar ideias profundas sobre integridade e amor não se apagou. “Precisávamos falar sobre o amor puro e as quebras necessárias que enfrentamos ao longo da vida”, reflete Dudude, ressaltando que essas temáticas se manifestam tanto nas coreografias quanto nos elementos cênicos, como os galhos de árvores que simbolizam a fragilidade e a beleza do natural.
Ao som de artistas como Patti Smith, Max Richter e Ryuichi Sakamoto, a performance se torna uma verdadeira celebração da dança, unindo as diferentes formações de Dudude e Lina, cuja trajetória inclui a primeira formação clássica na Companhia de Dança do Palácio das Artes. “A diversidade das nossas experiências nos permite explorar a dança de formas distintas, acolhendo nossas diferenças e criando um espetáculo rico em camadas”, destaca Dudude.
Suspense e interatividade em “Os mistérios de Agatha Christie”
Outra atração imperdível da campanha é a peça “Os mistérios de Agatha Christie”, que será apresentada no Teatro da Biblioteca Pública de Minas Gerais em uma única sessão no dia 11 de janeiro. A dramaturgia, inspirada no clássico “A ratoeira” de Christie, se passa em uma mansão isolada onde um grupo de estranhos é forçado a confrontar seus passados sombrios após um assassinato. A estrutura do espetáculo é metaficcional, explorando a mente da autora e criando uma continuação interessante para sua obra.
Na narrativa, Molly, a única sobrevivente de “A ratoeira”, é assassinada, levando os icônicos detetives Hercule Poirot e Miss Marple a investigarem o crime. Elementos da vida pessoal de Agatha Christie, como seu primeiro casamento e seu conhecimento sobre venenos, são entrelaçados à trama. Luisa Leão, autora e diretora da peça, enfatiza a interatividade com o público: “Deixamos pistas para que os espectadores ajudem a desvendar o crime ao longo da apresentação”, explica, tornando a experiência ainda mais envolvente e dinâmica.
Campanha de Popularização: Uma celebração da arte
A 51ª Campanha de Popularização do Teatro e Dança segue promovendo a arte teatral em Minas Gerais, oferecendo uma vasta programação que abrange diversas estéticas e linguagens, garantindo espaço para novos talentos e experiências inovadoras. É uma oportunidade imperdível para os amantes da cultura apreciaram produções que, além de entreter, provocam reflexões sobre a vida e o ser humano.
