Conversa entre Lula e Pacheco
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu um encontro com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) nesta quarta-feira, dia 12, na tentativa de convencê-lo a se candidatar ao governo de Minas Gerais. Durante aproximadamente 30 minutos, os dois discutiram as possibilidades de uma candidatura, com Lula destacando a importância da experiência do parlamentar e se colocando à disposição para facilitar as condições políticas e partidárias necessárias para essa empreitada.
De acordo com pessoas próximas ao senador, Pacheco demonstrou satisfação com a conversa, ressaltando sua responsabilidade com o estado. No entanto, ele manteve uma postura de cautela, afirmando que ainda precisa amadurecer sua decisão. Ao ser contatado pela reportagem, Pacheco optou por não comentar a reunião.
A Competitividade de Pacheco
Pacheco é visto como um candidato forte, especialmente devido ao seu perfil moderado e à boa relação que mantém com prefeitos de diversas legendas, incluindo algumas de direita. Esse aspecto torna sua candidatura uma alternativa atraente para Lula e a cúpula do PT em Minas, que acreditam que a presença do senador pode reforçar a campanha do presidente em busca da reeleição. Contudo, Pacheco resiste à ideia de uma candidatura isolada, enfatizando a necessidade de formar uma ampla aliança com partidos do centro, ao passo que ainda nutre o sonho de uma indicação para o Supremo Tribunal Federal.
Desde novembro, quando soube que não seria escolhido por Lula para ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso no STF, Pacheco comunicou ao presidente que planeja se afastar da vida pública em 2026 para retornar à advocacia.
Análises e Movimentações Partidárias
Naquela ocasião, Lula sugeriu que Pacheco consultasse suas bases políticas em Minas antes de tomar uma decisão definitiva. No entanto, líderes do PT acreditam que a afirmativa do senador não deve ser levada tão a sério. Recentemente, aliados de Pacheco enviaram mensagens ao diretório do PT indicando que ele ainda considera a possibilidade de concorrer ao governo.
Entretanto, qualquer decisão sobre sua carreira política envolverá questões partidárias. A permanência de Pacheco no PSD se tornou complicada com a ascensão do vice-governador Matheus Simões, que é pré-candidato ao governo com o apoio do governador Romeu Zema (Novo).
Segundo fontes próximas, o senador estava esperando a reunião com Lula para formalizar sua mudança para o União Brasil. As conversas com a nova sigla, liderada por Antônio de Rueda, estão em andamento desde janeiro e têm o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), que é aliado de Pacheco e um dos líderes da legenda.
A Importância de Minas Gerais na Eleição Presidencial
Como já foi destacado por CartaCapital, essa movimentação está ligada também a uma reestruturação interna em Minas, onde o comando estadual da sigla deve ser assumido pelo deputado federal Rodrigo de Castro, que é um aliado próximo de Pacheco. Essa mudança pode abrir portas para uma candidatura ao governo ou fortalecer a bancada no Congresso.
Para o governo federal, Minas Gerais é um estado estratégico nas eleições presidenciais. Lula tem reafirmado a interlocutores seu interesse em contar com Pacheco como seu candidato ao governo estadual. Contudo, a indefinição do senador levou alguns setores da esquerda a considerar alternativas, incluindo o apoio ao ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT).
Vale lembrar que a última vez que um candidato venceu as eleições presidenciais sem conquistar Minas ocorreu em 1950, quando Getúlio Vargas foi eleito presidente.
