Um Divisor de Águas na Política Externa Americana
A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, chamada de “Operação Firmeza Absoluta”, marca um momento significativo na política externa americana, sendo vista como um reflexo da erosão do multilateralismo que prevaleceu desde o fim da Segunda Guerra Mundial. De acordo com um militar venezuelano graduado que conversou com o New York Times, a ação resultou na morte de pelo menos 40 pessoas. Essa situação alarmou economias da região e a comunidade internacional, que observam atentamente os desdobramentos.
Durante uma coletiva à imprensa em sua residência na Flórida, Donald Trump declarou com firmeza que Washington assumirá o controle da Venezuela, justificando que a exploração das vastas reservas de petróleo do país ajudaria a financiar a reconstrução de sua infraestrutura. A afirmação, segundo ele, assegura uma transição segura, adequada e sensata, e destacou que a operação foi realizada sem nenhuma perda de vidas americanas.
Condições para Novo Ataque e Implicações Humanitárias
Trump, em declarações anteriores, não descartou a possibilidade de uma intervenção militar mais intensa, afirmando que a retirada dos apoiadores de Maduro seria uma condição essencial para evitar novos ataques. Essa ameaça gera um clima de apreensão, levando em conta o risco de uma escalada de violência, inclusive uma crise humanitária e uma guerra civil nas fronteiras com o Brasil.
Embora o presidente americano tenha anunciado medidas contundentes, o futuro da Venezuela permanece incerto. Em sua coletiva, Trump mencionou María Corina Machado, uma figura proeminente da oposição e laureada com o Prêmio Nobel da Paz, mas desconsiderou sua capacidade de liderança, afirmando que ela carece do apoio necessário dentro do país. O foco, segundo ele, está na negociação com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que ao se pronunciar classificou a ação americana como uma invasão disfarçada.
A Reação Internacional e a Posição do Brasil
A captura de Maduro gerou reações diversas na América Latina. A ministra das Relações Exteriores em exercício do Brasil, Maria Laura da Rocha, após uma reunião no Itamaraty, declarou que o Brasil reconhece Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela. A diplomata também informou que o governo brasileiro apenas se reunirá com autoridades americanas durante a convocação extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, pedida pela Colômbia.
O presidente Lula da Silva, em um comunicado, considerou os ataques e a prisão do presidente venezuelano como uma violação inaceitável da soberania nacional. Ele ressaltou que tais ações lembram os piores momentos de interferência externa na América Latina, defendendo a necessidade de diálogo e cooperação internacional, um posicionamento compartilhado por outros países da região como México, Colômbia, Chile e Uruguai.
Controvérsias sobre a Legalidade da Ação
A legalidade da operação militar está sendo amplamente debatida, tanto nos Estados Unidos quanto no âmbito do direito internacional. Durante a coletiva, Trump e Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, afirmaram que não era necessária uma autorização formal do Congresso para a ação militar, uma afirmação contestada pela oposição que ameaça levar a questão à Suprema Corte. A Casa Branca defende que a operação foi uma resposta necessária a uma circunstância definida pelo Departamento de Justiça, alegando que houve evidências de envolvimento de Maduro com o narcotráfico.
Impactos Futuros e Ações da Administração Trump
A estratégia de segurança nacional dos EUA, anunciada recentemente, busca reconfigurar a presença militar e econômica do país na América Latina, focando na repressão à imigração, ao tráfico de drogas e na contenção de adversários geopolíticos, com destaque para a China. As redes sociais de Trump foram utilizadas para exibir a captura de Maduro, trazendo à tona imagens do ex-presidente venezuelano algemado como uma demonstração do poder dos EUA, contrastando com a retirada considerada desastrosa do Afeganistão sob a administração de Joe Biden.
Com a economia apresentando desafios, e a inflação em alta, a administração Trump parece concentrar seus esforços em ações de segurança nacional como estratégia para evitar um avanço dos democratas no Legislativo e desviar a atenção de possíveis investigações sobre condutas inconstitucionais. Analistas indicam que Cuba, Colômbia e México podem ser os próximos alvos de atenção da Casa Branca, à medida que a situação na Venezuela evolui.
