Tragédia em Remanso: O Crime que Chocou a Bahia
O início de 2026 trouxe à tona uma triste realidade em Remanso, no norte da Bahia, onde um casal de mulheres foi brutalmente assassinado apenas algumas horas após terem celebrado a virada do ano em um evento público. As vítimas, que mantinham um relacionamento amoroso, foram vistas dançando e sorrindo durante a comemoração do Réveillon, um momento que rapidamente se transformou em tragédia.
Imagens que circulam nas redes sociais revelam momentos de alegria e celebração das duas mulheres, antes que a violência inexorável tomasse conta. O crime, prontamente classificado como feminicídio, reacende a discussão sobre a lesbofobia no Brasil e a necessidade urgente de políticas de proteção voltadas não apenas para mulheres, mas para toda a população LGBTQIA+.
Investigação em Andamento e o Suspeito Encontrado
De acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil, as investigações estão em andamento e um suspeito já foi identificado. Tragicamente, ele também foi encontrado sem vida no local do crime. Relatos iniciais indicam que esse homem era ex-companheiro de uma das vítimas. A motivação do assassinato ainda está sendo investigada, mas a polícia trata este caso de forma rigorosa, seguindo a legislação brasileira que tipifica feminicídio.
A complexidade deste crime exige uma análise cuidadosa, pois vai além de um simples ato de violência contra a mulher. Ele denuncia a interseção de dois tipos de ódio: a misoginia e a lesbofobia. Mulheres que amam outras mulheres enfrentam uma vulnerabilidade dupla, sendo alvos de um sistema que busca controlar suas vidas e decisões, e de um preconceito que não aceita sua orientação sexual.
Um Crânio Não é um Caso Isolado
Esta tragédia não é um evento isolado, mas parte de um panorama maior de violência mortal contra mulheres LGBTQIA+ no Brasil. Recentemente, o assassinato de Ana Caroline Souza Campelo, de 21 anos, em Maranhãozinho, causou grande comoção. A jovem lésbica foi sequestrada e encontrada morta, evidenciando a grave violência enfrentada por mulheres de comunidades marginalizadas. Em outro caso, o assassinato da adolescente Vitória, de 16 anos, em São Paulo, destaca a necessidade de um reconhecimento mais específico da lesbofobia como motivação para essas violências.
A Invisibilidade da Violência
Especialistas e ativistas alertam que os dados oficiais frequentemente não capturam a verdadeira extensão da violência contra mulheres lésbicas. Muitas mortes são registradas como homicídios comuns, sem que se investigue a motivação discriminatória. O Grupo Gay da Bahia reportou 291 assassinatos de pessoas LGBTQIA+ em 2024, sendo 11 lésbicas. Além disso, o LesboCenso Nacional revelou que mais de 78% das mulheres lésbicas já sofreram atos de lesbofobia.
Solidariedade e Luta por Justiça
Familiares e amigos das vítimas, assim como a comunidade local, têm se mobilizado para exigir justiça e homenagear as vidas perdidas. Atos de solidariedade e manifestações nas redes sociais refletem uma súplica por ações efetivas do poder público. Nesse cenário, o Projeto de Lei 3.983/2024, apresentado pela deputada Carla Ayres, busca incluir o lesbocídio como um crime qualificador no Código Penal, um passo essencial para o enfrentamento desse problema.
A tragédia em Remanso se insere em um contexto alarmante de violência sistêmica e demanda não apenas um clamor por justiça, mas também ações e políticas públicas eficazes que garantam a proteção e o respeito às vidas LGBTQIA+. É fundamental reconhecer que o amor não deveria ser motivo de violência e que a luta pela dignidade e pela vida deve prevalecer sobre qualquer preconceito.
