Imagens Reveladoras do Caso Orelha
A história do cachorro comunitário Orelha, que comoveu o Brasil após denúncias de agressões em Florianópolis (SC), ganhou novos contornos com a divulgação de um vídeo que a defesa do adolescente acusado de ser o responsável pelo ataque apresentou oficialmente. De acordo com os advogados, as imagens mostram Orelha caminhando de forma normal pelas ruas do bairro, por volta das 7h do dia 4 de janeiro, horário que, segundo a investigação inicial, seria posterior à suposta agressão, que teria ocorrido por volta das 5h30 da manhã.
A defesa do jovem argumenta que isso enfraquece a linha do tempo apresentada pelas autoridades. Alexandre Kale, advogado, declarou em entrevista à NSC TV que não existem registros visuais do momento da agressão e que não há testemunhas diretas. Ele observou que é difícil estabelecer o momento preciso em que Orelha faleceu, visto que o animal permaneceu desaparecido por um período considerável antes de ser encontrado.
Questionamentos sobre a Linha do Tempo da Investigação
O inquérito policial foi concluído na terça-feira (3) com um pedido de internação provisória do adolescente. Contudo, a defesa insiste que o jovem não esteve envolvido nas agressões e que o vídeo apresentado fortalece sua argumentação. Nas imagens, Orelha é visto saindo de um arbusto e seguindo pela calçada, indicando que estava se movimentando livremente após o horário considerado crítico pela investigação.
A delegada Mardjoli Valcareggi confirmou a autenticidade do vídeo, mas esclareceu que a Polícia Civil não alegou que o cachorro teria morrido imediatamente após as agressões. Segundo ela, testemunhas relataram ter visto Orelha ferido ainda no dia 4, e no dia seguinte, as pessoas que o resgataram perceberam uma deterioração significativa em seu estado de saúde. Os laudos e depoimentos sugerem que as lesões se agravaram ao longo de dois dias, o que indica que a agressão possa ter ocorrido antes do horário anteriormente estipulado.
Comprovações Tecnológicas na Investigação
A Polícia Civil de Santa Catarina, após mais de mil horas de gravações analisadas de 14 câmeras de segurança e o depoimento de 24 testemunhas, concluiu as investigações sobre as agressões que resultaram na morte de Orelha. As imagens foram essenciais para a apuração, mesmo sem registros do momento exato do ataque ao animal. Através delas, os investigadores conseguiram identificar as roupas usadas pelo adolescente e confirmar que ele saiu de casa durante a madrugada.
Além das imagens, a autoridade policial utilizou um software importado que ajuda a determinar a localização do celular do menor no momento do ataque. A análise indicou que o jovem havia deixado o condomínio às 5h25, indo em direção à Praia Brava, e retornando por volta das 5h58, acompanhado de uma jovem.
Impacto e Repercussão Nacional
O caso de Orelha continua gerando intensa comoção e acalorados debates sobre maus-tratos a animais e a responsabilidade criminal. Enquanto a defesa questiona a robustez das provas apresentadas, a Polícia Civil mantém sua posição, alegando que as evidências são suficientes para responsabilizar o jovem. A investigação agora avança para as próximas etapas judiciais, e o caso permanece no foco da atenção pública em todo o Brasil, refletindo a necessidade de discussões sobre os direitos dos animais e a importância de investigações cuidadosas.
Em meio a todas essas informações, a viagem do adolescente aos Estados Unidos, poucos dias após o incidente, e seus comportamentos em relação ao caso têm sido alvo de muitas críticas. Ao retornar ao Brasil, ele foi recebido pela Polícia Civil no aeroporto, onde um parente tentou esconder objetos que ligavam o jovem ao crime. Contudo, as evidências estavam claramente documentadas.
Agora, o futuro do adolescente e de todos os envolvidos no caso Orelha segue indefinido, mas com a certeza de que a luta contra a impunidade em casos de maus-tratos a animais continuará a ser uma pauta importante na sociedade brasileira.
