Estratégia Preventiva em Minas Gerais
Com a intensificação de eventos climáticos extremos, a atuação preventiva se tornou essencial para o setor elétrico. Em Minas Gerais, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) conta com um moderno centro meteorológico, que possui uma sala de situação equipada com painéis de monitoramento em tempo real. Essas ferramentas são fundamentais para o acompanhamento das condições climáticas no estado.
Além disso, a Cemig utiliza um radar meteorológico localizado em Mateus Leme, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e uma rede de detecção de raios, com o suporte de uma equipe de meteorologistas dedicados. Essa infraestrutura permite um monitoramento preciso das condições meteorológicas em todo o estado, possibilitando a identificação antecipada de tempestades, áreas de alta incidência de raios, volumes significativos de chuva e rajadas de vento.
Através da análise desses dados, a Cemig consegue mobilizar suas equipes, reposicionar recursos e reforçar estruturas antes mesmo de eventos climáticos severos. A companhia emite boletins, avisos e alertas meteorológicos que são enviados aos centros de operação, permitindo que medidas emergenciais sejam adotadas nas regiões mais afetadas. Isso inclui a mobilização de equipes com uma antecedência de até quatro horas.
Ruany Maia, meteorologista da Cemig, destaca a importância desse monitoramento contínuo: “Durante o período chuvoso, os riscos à rede elétrica aumentam. Por isso, esse acompanhamento favorece uma atuação mais rápida e precisa, minimizando impactos e garantindo a segurança operacional. A integração entre meteorologia e os centros de operação tem se mostrado crucial em um cenário climático cada vez mais desafiador”.
Dados Alarmantes e Ações Rápidas
No ano de 2025, a Cemig emitiu aproximadamente 15,6 mil alertas meteorológicos, além de identificar mais de 2 milhões de descargas atmosféricas em Minas Gerais, o que representa um aumento de 27,5% em relação ao ano anterior. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o total de registros chegou a quase 50 mil, com cerca de 1,9 mil ocorrências apenas na capital.
Para enfrentar o período seco e reduzir interrupções causadas por queimadas, o setor de Meteorologia da Cemig desenvolveu um sistema que monitora, por meio de dados de satélite, focos de calor localizados a até 1,5 quilômetro das linhas de distribuição e transmissão de energia da empresa.
Ruany explica: “O sistema recebe informações de uma rede de satélites orbitais que utilizam sensores térmicos para mapear os focos de calor em todo o território mineiro. Esses dados são cruzados com as coordenadas geográficas das linhas de distribuição e transmissão de alta tensão”.
Com essas informações, as equipes são acionadas para realizar inspeções no campo e, se necessário, implementar ações preventivas, como ajustes operacionais e manobras no sistema, visando evitar interrupções no fornecimento de energia. Essa tecnologia também é utilizada no sistema de transmissão, ajudando o Centro de Operação do Sistema (COS) a gerir ocorrências em linhas de extra alta tensão, tornando o restabelecimento do fornecimento de energia mais seguro e ágil.
