Alimentação Mais Cara em Março
Os moradores de Belo Horizonte enfrentaram um aumento significativo no custo da cesta básica em março, de acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). O preço da cesta básica subiu 3,33% em março de 2026, alcançando o total de R$ 761,13. Essa quantia representa 46,95% do salário mínimo atual, que é de R$ 1.621,00.
Embora tenha ocorrido um aumento em comparação ao mês anterior, a proporção do salário mínimo destinada à cesta básica é menor do que a observada em 2025. Ao analisar o acumulado dos últimos 12 meses, o custo da cesta básica em Belo Horizonte registrou uma queda de 2,50%.
Em março de 2025, a proporção era ainda mais alta, alcançando 51,43%, com a cesta custando R$ 19,53 a mais do que o valor atual. Portanto, é possível afirmar que houve uma melhora no poder de compra do salário mínimo em relação à cesta básica ao longo do último ano.
Eduardo Antunes, gerente de pesquisa do Ipead, destaca que diversos fatores contribuíram para o aumento dos preços dos itens essenciais na capital mineira. “Vários elementos estão ligados a esse aumento: os custos de produção, problemas nas safras, especialmente no caso do feijão, e o elevado custo do frete devido ao preço do diesel, que impacta diretamente o valor final aos consumidores”, observa.
Os Impactos nos Preços dos Alimentos
Entre os alimentos que sofreram as maiores altas estão a banana-caturra, que subiu 14,23%, o feijão-carioquinha, com aumento de 13,98%, e o tomate, que registrou uma elevação de 6,99%. Por outro lado, alguns itens proporcionaram um alívio no orçamento dos consumidores: a manteiga teve uma queda de 2,49%, o arroz diminuiu 1,83% e o pão francês teve uma redução de 0,82%.
Antunes ressalta que o feijão vem apresentando aumentos sucessivos desde fevereiro, acumulando quase 23% de alta no ano. “Esse fenômeno se deve a problemas nas safras, que foram inferiores, causando um impacto direto na cesta básica e, por consequência, um aumento expressivo nos preços”, detalha.
Perspectivas Futuras
Apesar da pressão inflacionária, Eduardo Antunes aponta para a possibilidade de uma diminuição nos preços da cesta básica nos próximos meses, mesmo em um cenário econômico instável. “Analisando os meses de janeiro, fevereiro e março de 2025, a cesta básica também apresentou aumentos contínuos desde janeiro. Assim, acredito que poderemos ver uma redução a partir de abril, que deve amenizar a pressão inflacionária gerada por produtos afetados por safras ruins e altos custos de transporte”, conclui o pesquisador.
