Análise da Arrecadação e da Qualidade dos Serviços
O Brasil abriga 195 municípios que arrecadam acima de R$ 1 bilhão por ano, conforme dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (SICONFI). No entanto, essa alta receita não se traduz em uma prestação de serviços de qualidade, especialmente nas áreas de saúde, educação e saneamento básico. Enquanto cidades bilionárias lutam para melhorar seus índices, algumas com menos recursos demonstram resultados superiores.
Por exemplo, Franco da Rocha, em São Paulo, não figura entre os municípios com receita bilionária, mas se destaca pelo acesso à saúde, segundo pesquisa do Centro de Liderança Pública (CLP). Outras cidades, como Goiana (PE) e Votuporanga (SP), também se destacam na prestação de serviços de saúde, apesar de não estarem entre os mais ricos.
Educação em Foco
No que diz respeito à educação, Barretos (SP) ocupa a segunda posição no ranking nacional, enquanto é também uma das cidades bilionárias. Na mesma linha, São Caetano do Sul (SP) aparece nas duas listas: é uma das cidades mais ricas e, ao mesmo tempo, ocupa a terceira colocação em acesso à educação. Esse cenário levanta questões sobre a gestão dos recursos e a eficiência na aplicação do orçamento público.
Cesar Lima, especialista em orçamento público, ressalta que a qualidade dos serviços não está necessariamente ligada à quantidade de dinheiro disponível, mas sim à capacidade de gestão e ao comprometimento dos gestores com a população. “Ter mais dinheiro não é suficiente para melhorar os serviços. É necessária uma gestão competente e vontade política para oferecer bons serviços, especialmente em saúde e educação”, afirma Lima. Ele observa que a Constituição Federal estipula pisos mínimos de investimento, mas muitos municípios acabam tratando esses limites como máximos.
Saneamento Básico em Crise
Quando analisamos o saneamento básico, a situação é alarmante. Bauru (SP), por exemplo, arrecada mais de R$ 1 bilhão, mas é classificada entre as piores cidades em desempenho, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Outras cidades com receita bilionária também enfrentam dificuldades, como Olinda (PE), Recife (PE) e Maceió (AL), que estão entre os 20 piores no Ranking do Saneamento 2025.
Por outro lado, o ranking de municípios com melhor saneamento inclui cidades ricas como Campinas (SP), Niterói (RJ) e Santos (SP), mostrando que, apesar da alta arrecadação, a gestão do saneamento pode ser deficiente.
Desafios na Segurança Pública
O cenário se torna ainda mais preocupante quando falamos em segurança pública. Um estudo da Brasil 61, baseado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, revela que seis cidades bilionárias estão entre as dez com as maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI). Os municípios em questão são Juazeiro (BA), Camaçari (BA) e Cabo de Santo Agostinho (PE), todos enfrentando desafios significativos na segurança.
Eficiência no Uso dos Recursos
Em termos de eficiência na aplicação dos recursos públicos, Osasco (SP), que ocupa a vigésima posição entre as cidades mais ricas, lidera o ranking de eficiência dos gastos. A seguir estão São Paulo (SP) e Volta Redonda (RJ). Dados do Retornômetro, uma ferramenta de consultoria da Assertif, indicam que 38 dos 50 municípios com maior eficiência nos gastos são bilionários, incluindo cidades como Criciúma (SC) e Ponta Grossa (PR).
Visão Geral das Cidades Bilionárias
No total, os 195 municípios bilionários do Brasil arrecadaram mais de R$ 678 bilhões em 2024. O estado de São Paulo se destaca, concentrando R$ 250,8 bilhões, seguido pelo Rio de Janeiro, com mais de R$ 92 bilhões, e Minas Gerais, cujas cidades bilionárias somaram mais de R$ 53 bilhões. Esse panorama evidencia a necessidade de uma reflexão sobre como a gestão e a aplicação dos recursos podem ser aprimoradas para que a alta arrecadação se converta em benefícios reais para a população.
