Reconhecimento do Patrimônio Cultural
O Conjunto Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas, em Minas Gerais, acaba de ser oficialmente tombado como patrimônio cultural. A decisão foi aprovada pelo Governo de Minas na última sexta-feira (10), durante a primeira reunião ordinária de 2026 do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep). Esse importante passo reconhece a relevância do complexo, que inclui edificações icônicas como o Palace Hotel, o Palace Cassino e as Thermas Presidente Antônio Carlos.
Esse conjunto já era protegido desde 1989, quando foi tombado como Patrimônio Histórico pela Constituição do Estado. A nova deliberação ocorreu dentro da programação do Governo Presente em Poços de Caldas, que neste momento é considerada a capital simbólica de Minas Gerais. Segundo o governo estadual, o tombamento reforça a importância histórica, urbana, paisagística e turística do município, cujas origens estão intrinsecamente ligadas às suas águas termais.
A decisão foi fundamentada em um dossiê técnico elaborado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), que evidenciou como o termalismo foi crucial para a formação e o desenvolvimento urbano de Poços de Caldas. A cidade, que já se destaca pelo seu turismo relacionado às águas termais desde o século XVIII, consolidou-se como um importante destino de saúde e lazer com a abertura dos primeiros poços em 1826.
História e Desenvolvimento Urbano
Esse modelo urbano planejado inclui um sofisticado planejamento que integra monumentos, praças, parques, fontes e outros equipamentos públicos. De acordo com Leônidas Oliveira, secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, o tombamento é um reconhecimento essencial da identidade de Poços de Caldas. “A cidade se estruturou e se desenvolveu em torno de um complexo hidrotermal e hoteleiro. Ao proteger esse conjunto, não estamos apenas preservando edificações, mas também uma forma única de organização do território, que torna Poços de Caldas uma referência em turismo, saúde e cultura na região”, afirmou o secretário.
O conjunto tombado é formado por bens que representam diferentes períodos históricos, com enfoque na fase de maior expansão urbana entre as décadas de 1930 e 1940. Os principais marcos incluem, além das edificações citadas, também o Parque José Affonso Junqueira e a Praça Pedro Sanches. A proteção abrange ainda praças, parques, monumentos, fontes e outros elementos artísticos que fazem parte do patrimônio cultural local.
Controvérsias e Reações
O presidente do Iepha-MG, Paulo Roberto do Nascimento Meireles, destaca que essa medida reforça o patrimônio como um motor de desenvolvimento sustentável. No entanto, o complexo já se viu no centro de polêmicas, como a destruição parcial de um cocho em uma de suas praças, realizada pelo prefeito Paulo Ney (PSD) em março. Esse ato gerou controvérsia na cidade, uma vez que o cocho tinha sido parte significativa da experiência turística local, utilizada há décadas.
A quebra do artefato foi parte de um ato que visava marcar a proibição do uso de charretes de tração animal, uma prática que também é considerada uma parte importante da memória cultural da cidade. Após o incidente, o cocho foi reconstruído e transformado em uma floreira.
A Câmara Municipal questionou a legalidade dessa intervenção, e, após análise, o Iepha-MG concluiu que o ato do prefeito não configurou irregularidade, uma vez que o cocho não fazia parte dos bens tombados. Contudo, o Iepha ressaltou que qualquer intervenção deve seguir os princípios de preservação e requer a anuência do órgão, o que não foi o caso do cocho.
O que está por vir
Além disso, o Iepha apontou que as charretes de tração animal são um aspecto cultural relevante em Poços de Caldas, merecendo preservação. A Prefeitura deve ainda regulamentar a situação patrimonial do local, atualizar o inventário da Praça Getúlio Vargas e valorizar a prática das charretes como patrimônio cultural imaterial. Sinalizações informativas e conteúdos educativos também foram sugeridos para aprimorar a experiência turística.
Por fim, o Iepha sugeriu que a prefeitura considere manter os bebedouros, desde que devidamente adaptados, para preservar a memória cultural, enfatizando a necessidade de equilibrar transformação e preservação da história local. O órgão se posiciona de forma a reconhecer a evolução urbana enquanto assegura a continuidade da memória associada.
