Recuperação da indústria mineira no primeiro quadrimestre
A produção industrial de Minas Gerais apresentou crescimento de 2,1% em abril, na comparação com o mês anterior, após quedas registradas em fevereiro (-0,2%) e março (-1,3%), de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse desempenho contribuiu positivamente para o indicador nacional, que também registrou alta de 0,7% no mesmo período.
No acumulado do ano, Minas Gerais teve expansão de 1,8% em sua produção industrial, superando o resultado nacional de 1,7%. Entre os 18 locais pesquisados, dez registraram crescimento, com destaque para Espírito Santo (25,3%) e Pernambuco (19,7%) como os maiores avanços. Por outro lado, o Rio Grande do Norte enfrentou a maior queda percentual, de 17,9%.
Cenário econômico e mercado de trabalho aquecido
Comparando abril de 2024 com o mesmo mês do ano anterior, Minas Gerais teve crescimento de 3,7% na produção industrial, enquanto o Brasil cresceu 2,7%. Do total de 18 locais, 12 apresentaram aumento na produção, com Espírito Santo (32,9%) e Rio de Janeiro (10,1%) liderando as maiores expansões. O Rio Grande do Norte foi o estado com maior retração, de 13,6%.
Alessandra Coelho de Oliveira, chefe da Seção de Pesquisas Econômicas do IBGE em Minas Gerais, atribui o resultado positivo ao mercado de trabalho aquecido, que mantém boa geração de empregos e aumento da massa salarial, mesmo diante de um cenário econômico desafiador e de alta taxa de juros. “A política monetária mais restritiva reduz investimentos e pressiona a produção, mas a demanda aquecida pelo menor desemprego e maior renda tem sustentado o crescimento industrial”, explica.
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Segundo Alessandra, o fechamento de 2023 foi favorável para a indústria, e os resultados acumulados em 2024 seguem positivos. “Apesar da oscilação, a indústria tem conseguido equilibrar as adversidades e manter um desempenho consistente”, completa.
Destaques setoriais na indústria mineira
Das 14 atividades industriais monitoradas em Minas Gerais, sete registraram aumento na produção em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os setores de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis tiveram avanço de 13,7%, seguidos por metalurgia (12,1%) e produtos do fumo (6,0%).
Por outro lado, as maiores quedas ocorreram em produtos químicos (-14,0%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-9,2%) e celulose, papel e produtos de papel (-8,8%). Entre os segmentos que mais influenciaram positivamente o resultado, destacam-se metalurgia, refino e biocombustíveis, além das indústrias extrativas.
No acumulado do ano, oito atividades apresentaram crescimento, com bebidas (10,3%), metalurgia (8,6%) e máquinas e equipamentos (7,6%) liderando as altas. Já as principais retrações foram observadas em máquinas e materiais elétricos (-14,8%), produtos químicos (-11,5%) e celulose e papel (-11,3%).
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Setor extrativo sustenta crescimento regional
A indústria extrativa exerce papel fundamental no desempenho industrial de Minas Gerais, destaca Alessandra Coelho de Oliveira. “Mesmo com efeitos contracionistas da política monetária, o setor extrativo tem contribuído para manter a produção em alta, tanto regionalmente quanto no cenário nacional”, afirma.
Minas Gerais, que possui estrutura industrial fortemente orientada para a indústria extrativa, tem seu saldo positivo fortemente influenciado por esse segmento, que se diferencia das demais atividades por suas especificidades produtivas.
Equilíbrio diante de desafios econômicos
A análise da chefe da Seção de Pesquisas Econômicas do IBGE em Minas Gerais reforça que, apesar das oscilações e incertezas do cenário econômico, os resultados acumulados indicam uma indústria regional que consegue manter a produção em crescimento. “O contexto atual apresenta forças positivas e negativas, mas a indústria tem conseguido sustentar um desempenho favorável, traduzindo-se em manutenção da atividade econômica e geração de empregos”, conclui Alessandra.
