O Fluxo Imobiliário de Minas Gerais em Ascensão
O setor imobiliário em Minas Gerais está experimentando um verdadeiro ‘boom’ nas vendas de apartamentos compactos, que registraram um crescimento impressionante de 54,6%. Belo Horizonte e Nova Lima se destacam como as cidades que lideram essa expansão, onde foram comercializadas 7.545 unidades, correspondendo a 31,5% de todas as transações imobiliárias no estado. Deste total, 27,4% das vendas foram de apartamentos compactos. Mas, o que exatamente caracteriza esse tipo de imóvel e por que a procura está em ascensão?
Rafael Feté, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), explica que os apartamentos compactos foram projetados para atender aos novos perfis familiares que estão se formando. “Embora o termo ‘compacto’ possa sugerir um espaço diminuto, na verdade, trata-se de imóveis que são funcionais e adequados para o estilo de vida contemporâneo. Atualmente, cerca de 10% a 15% das famílias brasileiras são unipessoais”, afirma Feté.
Ele acrescenta que a alteração no perfil demográfico, com menos filhos e um número crescente de pessoas que vivem sozinhas, impacta diretamente a demanda por imóveis menores. “Em Belo Horizonte, existe uma oferta insuficiente de apartamentos de um quarto ou conjugados. Em outras capitais, essa realidade já é comum, especialmente em áreas centrais, que oferecem fácil acesso a serviços, transporte, hospitais e comércio”, destaca.
Fatores que Impulsionam a Demanda por Imóveis Compactos
Outro aspecto crucial que contribui para o aumento na procura é o valor elevado do terreno em regiões mais valorizadas. Para que as construtoras consigam viabilizar empreendimentos nessas áreas, elas estão investindo em unidades menores. “Os imóveis em áreas nobres, onde os terrenos são mais caros, têm como solução a divisão do espaço em mais unidades. Isso torna o preço mais acessível para os compradores”, explica Feté.
A demanda não se limita apenas às famílias unipessoais; também está crescendo o número de pessoas que ficam em períodos curtos nas cidades, como estudantes e profissionais em trânsito. “Além disso, existem as chamadas ‘famílias de passagem’, que permanecem por três a quatro anos. O mercado de aluguel de curta duração está em expansão nas cidades. Quando o imóvel é bem localizado, a demanda se torna bastante alta”, ressalta.
O modelo de apartamentos compactos se apresenta como uma alternativa viável para quem deseja residir em áreas valorizadas sem comprometer o orçamento. “Oferecendo unidades menores, é possível aumentar o número total de apartamentos e assim viabilizar preços melhores. Isso possibilita que mais pessoas residam em regiões nobres”, conclui Feté.
Atração para Investimentos no Setor Imobiliário
Além de atender à demanda por moradia, os apartamentos compactos têm atraído também investidores, especialmente aqueles que compram na planta. “Esse é um cenário promissor de investimento, com condições de pagamento mais flexíveis. O imóvel tende a valorizar ao longo da obra e pode gerar renda através de alugueis depois”, afirma o especialista.
Embora o ticket médio desses imóveis seja mais baixo, a rentabilidade pode ser surpreendentemente alta. “Os apartamentos compactos proporcionam uma rentabilidade interessante, muitas vezes até superior, quando analisamos o valor por metro quadrado”, conclui Feté, evidenciando a atratividade desse segmento no mercado imobiliário.
