Retrospectiva de Crimes de Ódio em 2025
Em uma análise do ano de 2025, o g1 Minas Gerais destaca três casos que chocaram a opinião pública pela gravidade e natureza dos crimes, além de atualizar sobre o andamento dos processos judiciais. Os dados do Observatório da Segurança Pública de Minas Gerais indicam que, até outubro de 2025, foram registrados 543 casos envolvendo crimes contra a população LGBTQIA+. Em 2024, o total foi ligeiramente maior, com 546 ocorrências.
Belo Horizonte continua a ser o epicentro de tais crimes, contabilizando 140 incidentes até outubro. Em segundo lugar, Contagem e Uberlândia, ambas na Grande BH, apresentam 19 registros cada. A seguir, relembramos alguns dos casos mais significativos:
- Importunação sexual a dentista durante atendimento;
- Ataque homofóbico contra casal de mulheres em supermercado;
- Incidente transfóbico em banheiro de academia.
Importunação Sexual a Dentista em Igarapé
No mês de julho, um grave caso de importunação sexual ocorreu em um consultório dental em Igarapé, na Grande Belo Horizonte. A dentista foi alvo de Rames Ossen Ali Júnior, que durante um atendimento, tentou agredi-la sexualmente. Câmeras de segurança capturaram o momento em que ele, aparentemente sob efeito de drogas, desnudou-se e tentou arrancar a máscara da profissional. Em estado de choque, a dentista abandonou o consultório imediatamente.
Ela desabafou sobre a experiência traumaticamente impactante: “Senti-me um lixo após a agressão”. A ocorrência foi registrada e o inquérito se transformou em um processo judicial. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) condenou Rames a três anos de prisão em regime fechado e ele deverá arcar com os custos do processo. Em contato com a defesa de Rames, não obtivemos resposta até o fechamento desta reportagem.
O advogado da dentista, Ivam da Silva Braga, revelou que a defesa de Rames recorreu da condenação, mas ele segue preso no presídio inspetor José Martinho Drumond, local destinado a criminosos sexuais. A dentista expressou alívio com a condenação, ressaltando que “nada apaga o que aconteceu, mas saber que a justiça foi feita me traz um pouco de paz”.
Ataque Homofóbico no Supermercado
Em 28 de agosto, outro caso lamentável ocorreu em um supermercado localizado no Bairro Buritis, em Belo Horizonte. Um casal LGBTQIA+ enfrentou uma situação de injúria quando um homem, alterado, proferiu xingamentos homofóbicos contra as vítimas. O incidente foi registrado por testemunhas e virou assunto nas redes sociais, resultando em uma investigação por injúria.
As vítimas relataram que desde a agressão, passaram a viver com medo, recebendo ameaças, inclusive a vida de um dos filhos. “É insuportável viver sob essa pressão. Desde então, não conseguimos mais relaxar, pois sabemos que ele mora perto de nós”, desabafou Gabriela Fernandes, uma das vítimas. O TJMG agendou uma audiência de instrução para fevereiro, enquanto a defesa do agressor solicitou a avaliação de sanidade mental, sem sucesso.
Incidente Transfóbico em Academia
Por fim, em novembro, Ayla Vitória sofreu um ataque transfóbico em um banheiro feminino de uma academia na região da Pampulha, em Belo Horizonte. A mulher foi alvo de insultos por parte de outra frequentadora, que questionou sua presença no local. O caso foi denunciado e, segundo as autoridades, a suspeita se manteve em silêncio durante as investigações. A academia, por sua vez, afirmou que identificou a aluna e iniciou uma apuração interna, garantindo assistência à vítima.
A Polícia Civil finalizou o inquérito e indiciou a suspeita por transfobia. A discriminação se evidenciou quando a mulher se referiu a Ayla como homem e expressou insatisfação com sua presença no banheiro feminino.
Esses casos em Minas Gerais refletem um contexto alarmante de violência e discriminação contra a comunidade LGBTQIA+. As repercussões dos crimes de ódio trazem à tona a necessidade de um debate mais intenso sobre segurança e direitos humanos em nosso estado. Enquanto a justiça é buscada, a luta por um ambiente mais seguro e respeitoso continua.
