Alta no Custo da Construção Civil em Minas Gerais
O custo da construção civil em Minas Gerais apresentou um aumento considerável no último ano, marcado principalmente pelo encarecimento da mão de obra. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o valor médio por metro quadrado no estado passou de R$ 1.712 para R$ 1.834, representando uma elevação de R$ 122, equivalente a 7,1%.
Esses dados foram divulgados pelo Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), que é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em colaboração com a Caixa Econômica Federal. O levantamento também revelou que, apenas em janeiro deste ano, o custo da construção aumentou em 1,27%, consolidando a tendência de alta para 2026.
No primeiro mês do ano, o total dos custos no estado foi de R$ 1.025,12 referentes a materiais e R$ 809,44 à mão de obra. Apesar desse crescimento, Minas Gerais apresentou a quinta menor taxa de aumento no custo da construção do Brasil em janeiro, onde o preço médio do metro quadrado ficou em R$ 1.920,74, sendo R$ 1.081,31 para materiais e R$ 839,43 para a mão de obra.
A economista Ieda Vasconcelos, do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), afirmou que a alta nos custos pode ser atribuída, em grande medida, aos recentes reajustes salariais e ao crescimento dos preços de transporte, que já subiram no início do ano em várias cidades, incluindo Belo Horizonte.
“Esse movimento também reflete, em algumas capitais, o aumento do custo salarial decorrente das convenções coletivas de trabalho. Em Minas Gerais, o impacto do reajuste salarial em janeiro está relacionado à data-base da convenção coletiva”, explicou a economista.
Além disso, Ieda destacou que, ao comparar com a inflação oficial do país, o aumento nos custos da construção se mostra superior, pressionado ainda por fatores como a reoneração da folha de pagamento. Desde 2025, a contribuição patronal de 20% foi gradualmente substituída por alíquotas que variam de 1% a 4,5% sobre a receita bruta.
“A alíquota aumentou para 15% em 2025, reduzirá para 10% em 2026, retornará para 15% em 2027 e voltará a 20% em 2028, o que pode já ter influenciado os custos das empresas no início do ano”, ressaltou.
O aumento nos custos da mão de obra está profundamente ligado ao desempenho positivo do mercado de trabalho no último ano, o que tem gerado reajustes salariais mais robustos. “O Brasil fechou 2025 com uma taxa de desemprego impressionante de 5,5 milhões, um número que chegou a atingir 14 milhões durante a pandemia”, acrescentou Ieda.
Para 2026, o setor da construção civil espera que os custos se mantenham, pelo menos, em linha com a inflação, na tentativa de preservar as margens sem repassar aumentos que o consumidor não consiga absorver. Contudo, o cenário permanece incerto, uma vez que a economia enfrenta desafios associados à taxa de juros, que permanece elevada.
“O futuro dependerá de diversos fatores: a resiliência do mercado, o progresso na solução da escassez de mão de obra e a evolução da política macroeconômica do Brasil”, finalizou Ieda Vasconcelos.
