Prisão da Dama do Crime em Búzios
No dia 22 de dezembro de 2025, uma mulher de 39 anos, conhecida como a “Dama do Crime”, foi presa em Búzios, no interior do Rio de Janeiro. Identificada como Anne Casaes, ela é apontada como um elo operacional do Comando Vermelho (CV) entre Minas Gerais e outros estados. A confirmação da prisão veio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) na última terça-feira (13/1).
De acordo com a Sejusp, Anne atuava como uma ligação crucial entre o CV em Minas Gerais, Mato Grosso e o Rio de Janeiro, sendo uma figura notável no meio policial por seu papel em articulações interestaduais da organização criminosa. A operação que resultou em sua captura foi baseada em um robusto compartilhamento de informações de inteligência.
A abordagem, que culminou na prisão, foi realizada pelo 25º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), com suporte das forças de segurança fluminenses, e ocorreu sem nenhum incidente significativo.
Fraude no Sistema de Justiça
Durante a operação, a Sejusp revelou a descoberta de uma fraude no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Essa irregularidade estava relacionada ao registro indevido de cumprimento de mandado de prisão, possibilitada pelo uso irregular de credenciais vinculadas a um servidor do sistema prisional de Minas Gerais. Essa situação se deu sem a efetiva custódia da investigada, levando o caso a ser comunicado ao Tribunal de Justiça, que tomou as providências necessárias para regularizar a situação judicial e expedir um novo mandado.
A Sejusp destacou que, paralelamente, os órgãos de inteligência do Rio de Janeiro mantiveram vigilância contínua, o que possibilitou a localização e prisão de Anne Casaes em Búzios.
Defesa e Posicionamento de Anne Casaes
Em nota, o advogado de defesa de Anne, Marco Antônio de Assis Neves, alegou que foi informado sobre a prisão no início da noite de terça-feira (13/1). Ele ressaltou que o mandado foi expedido pela 2ª Vara de Tóxicos da Comarca de Belo Horizonte, baseado em um processo iniciado em 2022.
O defensor defende que os fatos em questão são antigos e não refletem a atual realidade da vida de sua cliente. Anne, segundo o advogado, já cumpriu mais da metade da pena imposta e a ordem de prisão não considerou sua condição de mãe de uma criança menor, que, de acordo com a legislação, requer proteção especial.
O advogado ainda argumentou que o processo que originou o mandado prisional possui graves vícios, como o desaparecimento de uma prova essencial, um CD com gravações que não foi disponibilizado à defesa na época. Esse fato comprometeu diretamente o contraditório e a ampla defesa, violando garantias constitucionais.
A defesa está tomando todas as medidas jurídicas necessárias para a expedição da guia de execução penal e para restabelecer a prisão domiciliar, que já havia sido concedida anteriormente devido às circunstâncias pessoais da acusada. O advogado afirmou ainda que Anne é inocente das acusações e não tem qualquer envolvimento com facções criminosas ou fraudes no sistema de justiça.
Histórico Criminal de Anne Casaes
No ano anterior, Anne Casaes havia sido presa em um apartamento no bairro Buritis, em Belo Horizonte, em julho de 2025. Na ocasião, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que a mulher levava uma vida luxuosa e recebia um seguro de vida de R$ 2 milhões pela suposta morte de seu marido, Júnior Gago, que seria um dos líderes do CV.
Contudo, menos de 24 horas após a prisão, ela foi liberada pelo Tribunal de Justiça do Mato Grosso, onde o processo estava em andamento. O advogado de Anne destacou que a prisão preventiva era injusta e desproporcional, além de não atender aos requisitos legais.
Em 2022, Anne havia sido presa por crimes relacionados à lavagem de dinheiro. Naquela ocasião, o delegado Anderson Kopke afirmou que sua atividade criminosa se intensificou após a morte do esposo, com um papel central na comunicação entre líderes da facção em diferentes estados e na coordenação de ações criminosas.
