Subsídio ao Transporte: Um Desafio Econômico
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, do partido União, descreveu o subsídio destinado ao transporte coletivo como um dos principais obstáculos financeiros do Orçamento municipal. Durante uma entrevista no programa Café com Política, transmitido pelo canal de O TEMPO no YouTube, Damião destacou que o custo do sistema de transporte está afetando as finanças da prefeitura, que já antecipa um déficit de aproximadamente R$ 787 milhões para 2026. O prefeito defendeu uma nova abordagem, solicitando maior envolvimento da União para enfrentar esse desafio.
“Ele é o vilão. O que você gostaria que eu fizesse? Se eu não subsidiar, a passagem sobe e quem paga é o trabalhador”, declarou Damião. Para ele, o modelo de financiamento atual é insustentável para os municípios, afirmando ser necessário criar um modelo nacional que possibilite a divisão das responsabilidades: “Apresentei ao presidente Lula a ideia de estabelecer o ‘SUS do transporte público’, onde a União, os Estados e os municípios compartilhem os custos”, afirmou.
Reorganização da Gestão Fiscal
Em relação a outras áreas do orçamento, Damião garantiu que não haverá cortes na saúde, destacando que a nova gestão se concentra em reorganizar a administração pública e otimizar gastos. “Não há cortes. O que estamos fazendo é remanejar, ajustar a máquina para gastar de forma mais eficiente”, explicou. O prefeito também exemplificou suas ações com a revisão de funções dentro da administração: “Às vezes, três pessoas realizam a mesma tarefa. Para que três pessoas doing the same thing?”, questionou, ressaltando a importância da eficiência.
Damião também se manifestou sobre um pedido de empréstimo no valor de R$ 420 milhões, destinado a investimentos na área ambiental. “Os recursos serão direcionados a intervenções estruturais, como drenagem urbana e erradicação de lixões. São obras necessárias, mesmo que não visíveis, que fazem a diferença a longo prazo”, completou.
Mobilidade e Infraestrutura em Debate
Na discussão sobre mobilidade, o prefeito expressou críticas ao projeto do Rodoanel e enfatizou que a prioridade deve ser a recuperação do Anel Rodoviário. “Temos o Anel Rodoviário. Por que construir outro se o atual não está em ótimas condições?”, questionou Damião. Em relação à segurança no trânsito, o prefeito abordou a necessidade de implementar medidas rigorosas de fiscalização e a mudança de comportamento dos motoristas, afirmando que a conscientização sozinha não é suficiente para garantir a segurança. “Isso tem que ser na marra. Se for só pela educação, não vai funcionar. Precisamos de uma fiscalização mais rigorosa”, concluiu.
Posicionamento Político e Futuro Eleitoral
Na esfera política, Damião afastou rumores sobre desgastes com o PSD após a morte do ex-prefeito Fuad Noman, reafirmando que a relação com o partido permanece institucional. “Nunca houve problemas. Após a morte do Fuad, conversei com todos os partidos, incluindo o PSD”, declarou. Ele assegurou que a legenda continua na base aliada, destacando o apoio dos três vereadores do PSD à sua administração.
Sobre o cenário eleitoral em Minas Gerais, o prefeito mencionou que a recente federação entre o União Brasil e o PP não implica um compromisso automático de apoio ao vice-governador Mateus Simões, do PSD, em uma futura candidatura ao governo do Estado. “Não há nada definido. Tudo vai depender das propostas que surgirem e do que for melhor para Belo Horizonte e Minas Gerais. Vamos conversar mais para frente”, disse, ressaltando que o cenário continua incerto.
Quanto à sua ausência na posse de Simões, Damião negou que tivesse motivações políticas, afirmando que a razão foi simplesmente uma questão de agenda. Apesar das incertezas no governo estadual, ele manifestou seu apoio ao ex-secretário de Governo Marcelo Aro, do PP, para o Senado. “Ele é um dos meus senadores. Vou apoiar o Marcelo Aro. Esse compromisso é meu”, finalizou Damião.
