Desafios de Ratinho Jr. no PSD
Com a intenção de se firmar como candidato à presidência nas eleições deste ano, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), se depara com um obstáculo considerável: a falta de apoio de líderes do seu próprio partido em pelo menos seis estados. Nestes locais, os diretórios regionais já alinharam suas forças com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, ou com outras candidaturas. A aspiração de Ratinho é comprometida por estas alianças, especialmente em áreas estratégicas do Sudeste, Nordeste e Norte do Brasil.
A primeira sinalização mais clara em relação à sua candidatura surgiu na última quarta-feira, durante um evento no Palácio Iguaçu. Ao ser questionado, o governador declarou que “aceitaria o desafio” caso fosse escolhido para “liderar um novo projeto para o Brasil”. Essa declaração sinaliza o interesse do partido em avançar com uma candidatura, um movimento que ganhou força após o anúncio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato. Gilberto Kassab, presidente do PSD e que também ocupa o cargo de secretário na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), procura se viabilizar na corrida presidencial.
Alianças Regionais e Impasses
Os obstáculos para Ratinho começam em Minas Gerais, onde o vice-governador Matheus Simões, candidato ao Palácio Tiradentes, já se comprometeu com o governador Romeu Zema (Novo), que também está se posicionando para o pleito presidencial. Apesar de ter abandonado o Partido Novo no último ano, Simões decidiu manter seu apoio a Zema, que, por sua vez, tem recebido propostas para ser vice em uma chapa da direita, mas já descartou essa possibilidade publicamente.
No Rio de Janeiro, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), deve se alinhar com Lula, apesar das incertezas criadas por suas recentes flertes ao bolsonarismo. Sua aproximação com o governador Cláudio Castro (PL) e as críticas do vice-prefeito Eduardo Cavaliere à ação do PT na segurança pública não agradaram à cúpula do partido. Entretanto, Paes fez questão de reafirmar sua lealdade ao petista em uma visita a Brasília, conforme destacado na newsletter “Jogo Político”, do GLOBO.
Conexões com o Nordeste
No Nordeste, o PSD manterá sua aliança com o PT na Bahia, continuando a apoiar o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Essa decisão ocorreu após a autorização do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, para que a sigla mantenha o arranjo vigente. Mesmo com negociações em curso para a criação de uma chapa puro-sangue para o Senado, que incluirá o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o senador Ângelo Coronel (PSD), que almeja a reeleição, ficou de fora desse acordo, que não deverá afetar a parceria entre os dois partidos.
O presidente estadual do PSD, senador Otto Alencar, afirmou, por meio de seus representantes, que sempre apoiou Lula na Bahia e que não há motivo para romper essa aliança, mesmo diante da possibilidade de um candidato do próprio partido.
Perspectivas no Piauí e Pernambuco
Em Piauí, onde o PT está no poder há mais de uma década, a expectativa é que a chapa composta pelo governador Rafael Fonteles (PT) e o deputado federal Júlio César (PSD) permita a continuidade do apoio a Lula. Enquanto isso, em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra, que busca a reeleição pelo PSD, está na disputa por apoio do PT, enfrentando o prefeito de Recife, João Campos (PSB).
Situação no Ceará
A situação no Ceará se apresenta de maneira diferente, onde o PSD também apoia o governador Elmano de Freitas (PT). O ex-deputado estadual Domingos Filho, atual presidente do diretório local, ocupa um cargo como secretário do Desenvolvimento Econômico. A direção estadual declarou que continuará a apoiar Elmano, mas, no âmbito nacional, seguirá as diretrizes do presidente Gilberto Kassab, o que implica apoiar a candidatura de Ratinho.
