Desnutrição grave atinge bebê indígena em Betim
Uma criança indígena da etnia venezuelana Warao, com apenas 1 ano e 4 meses, faleceu em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, vítima de um quadro crítico de desnutrição. Camila Rátia estava internada no Centro Materno Infantil de Betim desde a última segunda-feira (25), apresentando sintomas graves de desidratação e desnutrição crônica, segundo informou a prefeitura local.
De acordo com relatos da empresária e voluntária da comunidade, Flávia Gomes, o estado de saúde da menina era delicado. “Os médicos já diziam que ela estava em estado crítico. No dia 28, recebi uma ligação do hospital para comparecer junto com o pai. Quando cheguei, soube que Camila havia sofrido dez paradas cardíacas no dia anterior e mais duas naquele dia. Ela estava muito debilitada”, contou Flávia.
Contexto da comunidade Warao em Betim
Camila nasceu em Itabuna, Bahia, em janeiro de 2025. Seus pais, indígenas refugiados da Venezuela, mudaram-se com a bebê e outros seis filhos para um acampamento em Betim há cerca de um mês. Atualmente, cerca de 70 famílias da etnia Warao vivem no local em condições bastante precárias, em barracas feitas de madeira e lona, onde outras mortes já foram registradas.
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O pediatra voluntário Cícero Augusto Araújo destacou a situação crítica da comunidade. “Temos cerca de cinco crianças com desnutrição entre moderada e grave. A alimentação deles é bastante inadequada, pois enfrentam restrições no acesso a bens essenciais e diferenças culturais. Eles estão em um processo de adaptação, precisando tanto de acesso ao alimento quanto de aprender a incorporar os alimentos disponíveis aqui”, explicou.
Medidas do Ministério Público e desafios da Prefeitura
A 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de Betim, vinculada ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), abriu um procedimento para monitorar as ações de saúde destinadas à comunidade Warao. Entre as recomendações está a intensificação das campanhas de vacinação, a designação de equipes de atenção primária para atuar de forma contínua e a realização de visitas domiciliares regulares para acompanhar o risco nutricional.
O MPMG também acionou órgãos da Vigilância Sanitária, Assistência Social e Defesa dos Direitos Humanos, diante das condições de precariedade no acampamento, como a falta de saneamento básico, acúmulo de resíduos, insegurança alimentar e riscos sanitários elevados. A situação requer atuação integrada que envolva saúde pública, direitos indígenas, migração e assistência social, além de habitação e vulnerabilidade extrema.
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Em nota, a Prefeitura de Betim lamentou o falecimento de Camila Rátia e ressaltou que o caso está inserido em um contexto de vulnerabilidade social e sanitária enfrentado pela população indígena Warao na ocupação. O município informou que realiza acompanhamento permanente da comunidade por meio da Atenção Primária à Saúde, com visitas quinzenais, mas que a criança ainda não havia sido identificada e vinculada à equipe de saúde.
Atualmente, 244 indígenas Warao possuem cadastro ativo na rede municipal. A prefeitura destacou os desafios do atendimento, que incluem a mobilidade constante das famílias, a chegada frequente de novos grupos em situação de extrema vulnerabilidade e barreiras culturais e linguísticas que dificultam a identificação, vínculo e acompanhamento assistencial.
Para fortalecer a atuação, o Executivo está instituindo um comitê intersetorial para avaliar o caso, identificar fragilidades nos fluxos de atendimento e aprimorar as ações integradas de promoção da saúde, proteção social e garantia dos direitos dos indígenas.
