Um Reconhecimento Merecido
No último dia 22 de dezembro, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) prestou uma homenagem significativa ao conceder os títulos de Doutor Honoris Causa a Milton Nascimento e Toninho Horta. Essa honraria é reservada a personalidades que se destacam por suas contribuições à ciência, tecnologia ou cultura, conforme a normativa da instituição. A cerimônia ocorreu no auditório da Reitoria da UFMG, em Belo Horizonte, e atraiu a atenção de amantes da música mineira.
Por questões de saúde, Milton Nascimento não esteve presente fisicamente, mas acompanhou a homenagem virtualmente. Ele foi representado por Wilson Lopes, professor da Escola de Música da UFMG e amigo de longa data do cantor, que tem atuado na banda de Milton desde 1993. Por outro lado, Toninho Horta esteve presente e foi o centro das atenções durante a cerimônia, recebendo calorosos aplausos.
A Influência Cultural do Clube da Esquina
Em seu discurso, Horta refletiu sobre a conexão entre as obras do Clube da Esquina e a cultura mineira. Ele mencionou como a geografia do estado, com suas montanhas e a rica estética barroca, teve um papel fundamental na criação do primeiro álbum do grupo, lançado em 1972. “A gente não faz melodia linear”, observou Horta, ao traçar um paralelo entre o relevo local e as composições do disco. Ele ressaltou a criatividade e o ‘swing’ característicos das músicas do grupo, que ressoam com a identidade mineira.
O guitarrista também homenageou seu amigo Lô Borges, falecido em novembro, destacando que ele também mereceria tal reconhecimento. Em entrevista ao Estado de Minas, Horta expressou sua tristeza pela perda e a importância de Borges no cenário musical de Minas Gerais. “Pode-se considerar que ele é um dos mais emblemáticos da música de Minas Gerais”, lamentou.
O Valor do Reconhecimento
Horta, autodidata, manifestou sua gratidão pelo título: “Ter um reconhecimento desses, de uma universidade renomada, é muito representativo para minha carreira e vida, pois sempre acreditei na música”, afirmou. Ele também mencionou o apoio inestimável que recebeu de sua família, especialmente da irmã Gilda, com quem compartilha a paixão pela música desde a infância.
Por sua vez, Wilson Lopes, que representou Milton Nascimento, se comprometeu a entregar o diploma a Bituca pessoalmente. O professor relembrou sua amizade com o cantor, que começou em 1993, dizendo que “o maior legado do Clube da Esquina é a simplicidade e a amizade entre os integrantes”. Lopes também ministra uma disciplina dedicada à obra de Milton na UFMG, sublinhando a importância da música popular na formação acadêmica dos alunos.
Legado e Humanidade
Além de sua contribuição musical, Lopes exalta Milton Nascimento como um ser humano notável, enfatizando sua mensagem de amor e amizade. “Ele é uma das pessoas mais maravilhosas que temos neste mundo”, destacou Lopes.
A cerimônia foi encerrada com apresentações musicais que emocionaram o público presente. Um sexteto de alunos do curso de música da UFMG apresentou canções icônicas do Clube da Esquina, como “O trem azul” e “Caxangá”. Em seguida, Toninho Horta uniu forças com Lopes e outros professores para interpretar obras como “Ponta de areia” e “Cravo e canela”, recebendo aplausos entusiasmados da plateia.
Processo Rigoroso de Escolha
A reitora da UFMG, Sandra Goulart de Almeida, enfatizou a seriedade do processo de escolha dos homenageados, que envolve uma apresentação de cinco nomes, seguida por votação secreta. “Os dois (Milton e Toninho) foram aprovados por unanimidade”, informou ela. A UFMG, com quase 100 anos de história, conferiu até hoje apenas 24 títulos de Doutor Honoris Causa, evidenciando a relevância dessa honraria.
Almeida também destacou a importância de Milton Nascimento em momentos históricos do Brasil, como na “Missa dos Quilombos” e no movimento “Diretas, Já”, interpretando essas ações como um forte compromisso com a democracia.
