Iniciativa Inovadora em Educação Científica
No Oeste do Pará, escolas estão se unindo a um projeto inovador que busca atender a inúmeras demandas educacionais. Segundo a professora Cláudia Castro, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que apoia a coordenação do programa, o grande desafio consiste em fomentar a alfabetização científica e tecnológica tanto de alunos quanto de educadores. “Precisamos incentivar o uso e a criação de tecnologias, promovendo inclusão, divulgação científica e sustentabilidade”, destacou.
O programa, denominado Mais Ciência nas Escolas, é uma colaboração entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Ministério da Educação (MEC) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Com um investimento de R$ 100 milhões, provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), a iniciativa pretende implantar laboratórios makers em duas mil escolas públicas em diversas partes do Brasil.
Esses laboratórios makers são ambientes equipados para a realização de atividades práticas e colaborativas, onde os estudantes são desafiados a transformar suas ideias em projetos de pesquisa. A metodologia adotada gira em torno da experimentação e do aprendizado ativo, permitindo que cada escola participante receba um conjunto básico de equipamentos que inclui notebooks, impressoras 3D, cortadoras, projetores multimídia, além de kits de robótica e filamentos.
De acordo com o coordenador do programa na Ufopa, professor Roberto Paiva, “o laboratório maker tem como meta promover o letramento digital de forma crítica e criativa, além de incentivar a educação científica e tecnológica, a inclusão social e despertar o interesse por carreiras nas áreas de ciência e tecnologia”.
Projeto Selecionado pelo Governo Federal
O projeto da Ufopa, intitulado “Rede Colaborativa de Educação Tecnocientífica, Cultural e Cidadã para a Sustentabilidade na Amazônia Paraense”, é o único escolhido pelo governo federal para a implementação do programa no Pará. Cláudia Castro observou que o edital trouxe desafios consideráveis, dada a sua amplitude.
“Participar do edital do PMCE foi, sem dúvida, uma das experiências mais desafiadoras que já enfrentamos. Foi imprescindível estabelecer um diálogo intenso com as redes de ensino para que o projeto fosse estruturado de forma colaborativa”, ressaltou.
Vinculada à Pró-Reitoria da Cultura, Comunidade e Extensão (Procce), a proposta tem como objetivo promover a alfabetização científica e tecnológica de estudantes e professores da educação básica, com um foco em tecnologias que favoreçam a inclusão e a sustentabilidade na Amazônia. O professor Roberto Paiva enfatizou a importância de fortalecer ações de extensão e pesquisa que conectem escolas públicas e instituições dedicadas à ciência e tecnologia.
Colaboração e Investimento na Educação
A implementação do projeto ocorre em colaboração com o Instituto Federal do Pará (IFPA), abrangendo os campi de Óbidos, Santarém e Itaituba, além de parcerias com as redes estadual e municipal de ensino. Os investimentos totalizam R$ 4,5 milhões, destinados à aquisição de equipamentos e ao oferecimento de bolsas de auxílio financeiro.
Todas as escolas, professores e estudantes já foram selecionados, e o projeto está atualmente na fase de aquisição dos equipamentos. Em seguida, os laboratórios serão instalados nas 45 escolas contempladas. Durante esse processo, também estão sendo realizados encontros presenciais com os estudantes para definir as atividades que serão desenvolvidas nos próximos meses.
O primeiro laboratório-piloto será inaugurado até janeiro do próximo ano na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Antônio Batista Belo de Carvalho, em Santarém. Esta unidade já recebeu a primeira impressora 3D fruto do financiamento do projeto. Conforme Roberto Paiva, esse espaço será crucial para a formação e treinamento de estudantes e professores bolsistas.
Além da aquisição de equipamentos, o programa prevê a concessão de bolsas de incentivo por um período de um ano. No estado, 450 alunos da educação básica foram selecionados para receber bolsas do CNPq, que variam de R$ 200 para o ensino fundamental a R$ 300 para o ensino médio. Professores, servidores das escolas, estudantes de graduação da Ufopa e do IFPA, assim como outros envolvidos no projeto, também receberão apoio financeiro.
Integração e Diálogo na Educação
Realizado pela Ufopa, o projeto “Rede Colaborativa de Educação Tecnocientífica, Cultural e Cidadã para a Sustentabilidade na Amazônia Paraense” visa integrar diferentes esferas de ensino e dialogar com as necessidades das escolas públicas da região, especialmente em relação à formação científica e tecnológica no interior da Amazônia paraense.
