O Desafio da Formação da Chapa Majoritária
Com a aproximação das eleições para o governo de Minas Gerais, a situação política se complica para Mateus Simões (PSD), escolhido por Romeu Zema (Novo) como seu sucessor. A busca por alianças para a formação de sua chapa majoritária tem sido repleta de contratempos, principalmente devido às movimentações em torno da candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD). Pacheco aparenta estar se preparando para se filiar ao União Brasil, o que poderia afastar o partido e o PP do apoio ao vice-governador. Em paralelo, o PL está mobilizado para apresentar uma candidatura própria e procura estabelecer um palanque no estado para o senador Flávio Bolsonaro (PL), que almeja a Presidência, complicando ainda mais as negociações.
Pacheco e a Mudança para o União Brasil
A permanência de Pacheco no PSD tornou-se insustentável desde a filiação de Simões. Nas últimas semanas, ele começou a trabalhar em sua transição para o União, afastando também a federação entre seu novo partido e o PP da composição do vice-governador. Para viabilizar essa mudança, Pacheco conseguiu emplacar o deputado federal Rodrigo Castro (União-MG) na presidência do diretório estadual, uma manobra que visa fortalecer sua posição. A escolha de Castro foi anunciada recentemente, desbancando o deputado Delegado Marcelo Freitas (União), que havia sido um aliado próximo de Zema e estava buscando apoiar Simões.
Simões, por sua vez, se mantém confiante em relação ao apoio prévio estabelecido com as direções nacionais dos partidos. Ele declarou que conta com a garantia dos presidentes Antonio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, que prometeram manter a federação ao seu lado nas eleições, com Marcelo Aro como candidato ao Senado. ‘Não tenho motivos para duvidar do compromisso assumido por eles’, ressaltou Simões em entrevista ao GLOBO.
Pacheco e Lula: Uma Relação em Foco
O senador é visto como a primeira opção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para concorrer ao governo de Minas. Recentemente, ambos se reuniram, onde discutiram a viabilidade de Pacheco como candidato. O senador tentou explorar outras alternativas, mas foi informado por Lula que ele é o único nome que pode representar adequadamente o campo político no estado. Diante dessa situação, Pacheco reconheceu a responsabilidade que possui com Minas e a democracia, prometendo tomar uma decisão no momento adequado, mas antes precisa esclarecer sua situação partidária.
Negociações e Possíveis Alianças
Além do União Brasil, o senador também está considerando a possibilidade de se filiar ao MDB, especialmente em decorrência das articulações relacionadas ao alinhamento da legenda na disputa presidencial. O MDB recebeu uma proposta para compor a chapa majoritária ao lado de Lula, mas a resistência é grande, com 16 dos 27 diretórios da sigla se opondo à aliança com o PT. Ao mesmo tempo, a federação União Progressista busca um entendimento com o governo, enquanto o Planalto tenta manter o grupo neutro nas eleições.
A decisão final de Pacheco dependerá dos posicionamentos que o União e o MDB adotarem em nível nacional. Essa indefinição gera incertezas, levando alguns membros do PT a sugerirem apoio à candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ou explorando outros possíveis nomes do partido ou até mesmo candidatos externos para a disputa.
PL e a Busca por Candidatura Própria
Enquanto isso, o PL, embora tenha reservado espaço para uma segunda vaga ao Senado na chapa de Simões, está focado em construir uma candidatura própria. Flávio Bolsonaro lidera esse movimento, desejando garantir presença em todos os estados. Com essa intenção, ele está tentando viabilizar uma candidatura do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ao Executivo. No entanto, Ferreira já sinalizou que prefere se concentrar em sua reeleição para a Câmara dos Deputados.
Recentemente, Ferreira utilizou suas redes sociais para rebater críticas de apoiadores que o acusam de não se engajar com a campanha de Flávio Bolsonaro. ‘Nos últimos dias, em todas as entrevistas, deixei claro que Flávio é o candidato escolhido pelo presidente Bolsonaro e terá o meu apoio’, afirmou, ressaltando que, embora não participe da coordenação da campanha, estará presente no apoio.
Outras Possibilidades de Candidaturas
Além de Nikolas, outra alternativa para a direita em Minas é o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Ele tem apresentado um desempenho superior nas pesquisas em comparação a Simões, mas sua credibilidade é questionada devido a declarações passadas sobre sua lealdade a Bolsonaro. Após ser criticado por Eduardo Bolsonaro, Cleitinho pediu desculpas, mas sua imagem ainda está sendo avaliada pelos eleitores.
