Queda no eleitorado jovem de Minas Gerais
A participação dos eleitores entre 16 e 24 anos em Minas Gerais diminuiu de forma expressiva nas últimas eleições. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pelo Estado de Minas apontam que essa faixa etária representava 17,5% do eleitorado estadual em 2010, percentual que caiu para 10,7% em 2026. Em números absolutos, o total de jovens eleitores mineiros recuou de 2,5 milhões para 1,7 milhão, mesmo com o crescimento do eleitorado geral, que passou de 14,5 milhões para 16,3 milhões no mesmo período.
Redução progressiva nos últimos ciclos eleitorais
A redução na representatividade dos jovens não ocorreu de forma abrupta, mas gradual. Em 2014, eles componham 15,2% do eleitorado, somando 2,3 milhões. Quatro anos depois, essa proporção caiu para 13,9%, com 2,1 milhões de eleitores na faixa, em um universo de 15,7 milhões. Em 2022, o percentual foi de 12,4%, equivalente a 2 milhões de jovens em 16,2 milhões de eleitores. Entre 2022 e 2026, Minas Gerais adicionou cerca de 100 mil eleitores no total, mas perdeu aproximadamente 300 mil jovens nessa faixa etária, uma queda de 1,6 ponto percentual em quatro anos.
Minas Gerais acompanha tendência nacional de envelhecimento do eleitorado
Esse fenômeno não é exclusivo de Minas Gerais. Um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em dados oficiais do TSE, mostra que o eleitorado jovem no Brasil caiu de 24,7 milhões em 2010 para 19,2 milhões em 2026. No mesmo período, o total de eleitores brasileiros cresceu de 135,8 milhões para 158,8 milhões. A participação dos jovens entre 16 e 24 anos no eleitorado nacional diminuiu de 18,18% para 12,09%, indicando uma queda proporcional menor que a registrada em Minas Gerais, onde a redução foi de 6,8 pontos percentuais, contra 6,1 pontos no âmbito nacional.
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Comparativo regional e envelhecimento do eleitorado
Minas Gerais está entre os estados do Sudeste com menor proporção de jovens eleitores, alinhando-se a São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e Paraná. No Rio de Janeiro, a participação é de 10%, enquanto no Rio Grande do Sul é de 9%. Estados das regiões Norte e Nordeste, como Roraima, Acre, Amapá e Amazonas, apresentam percentuais mais elevados, variando entre 16% e 18%. O levantamento da Nexus também destaca o crescimento do eleitorado com 60 anos ou mais, que em 2026 deve atingir 36,8 milhões no país, superando em número os jovens de 16 a 24 anos desde 2014.
Impactos políticos e eleitorais da mudança demográfica
O envelhecimento do eleitorado brasileiro altera a dinâmica eleitoral. Em um cenário de polarização como o das eleições de 2022, decididas por uma margem inferior a 2 milhões de votos, a diminuição do peso numérico dos jovens torna cada voto ainda mais estratégico. Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, ressalta que o eleitorado jovem perde força relativa anualmente, enquanto o contingente de eleitores mais velhos cresce, influenciando diretamente as prioridades e estratégias políticas.
Comparecimento nas urnas entre jovens mantém-se alinhado à média
Apesar da redução no número de jovens eleitores, a taxa de comparecimento às urnas nessa faixa etária segue próxima da média nacional. Em 2022, 78,9% dos jovens entre 16 e 24 anos compareceram ao primeiro turno, percentual quase igual à média geral de 79,1%. Entre os jovens de 18 a 24 anos, para quem o voto é obrigatório, a presença foi de 78,5%. Já os adolescentes de 16 e 17 anos, cuja votação é facultativa, apresentaram uma taxa de comparecimento de 82,9%.
Próximos movimentos eleitorais em Minas Gerais e no país
As Eleições Gerais de 2026 estão previstas para o dia 4 de outubro, quando mais de 150 milhões de brasileiros, incluindo o eleitorado mineiro, retornarão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Caso haja segundo turno, será realizado em 25 de outubro. O cenário demográfico e eleitoral observado indica que as decisões políticas terão de considerar o impacto do envelhecimento do eleitorado e a redução da participação jovem, fatores que moldarão a composição e prioridades dos futuros mandatos.
