Desafios Culturais no Desenvolvimento Integral
As dinâmicas culturais desempenham um papel crucial no avanço ou retrocesso da sociedade em busca de um desenvolvimento integral. A preocupação central reside na ascensão de subculturas que, muitas vezes, assumem a liderança em processos decisivos, priorizando interesses particulares em detrimento do bem-estar coletivo. O impacto dessas subculturas pode ser severo, pois promovem a relativização do bem comum, resultando em um cenário em que os mais vulneráveis pagam um preço ainda mais alto.
Essas forças subculturais têm o potencial de bloquear conquistas significativas que beneficiariam a todos. Esse fenômeno se torna evidente, especialmente quando os debates políticos, em vez de focar em soluções que favoreçam o bem comum, se transformam em disputas ideológicas acirradas. A polarização resultante fomenta um ambiente de retrocessos e estagnações que afetam diretamente a qualidade de vida da população.
A Política Distante do Bem Comum
A política, quando se distancia da essência do diálogo e da priorização do bem comum, pode se tornar um terreno onde prevalecem hostilidades e interesses hegemônicos. Nesse contexto, aqueles que ocupam cargos de poder frequentemente se envolvem em discussões infrutíferas, destacando aqueles que, de maneira mais incisiva, atacam os adversários. Esta situação resulta em um vício prejudicial: a transformação da linguagem em uma ferramenta de construção de uma autoimagem que se edifica pela destruição da imagem do outro.
Assim, a linguagem, que deveria ser um facilitador de discernimentos essenciais para o desenvolvimento, se transforma em um instrumento nas disputas que consomem energia e recursos. O desejo de se sobrepor ao semelhante, alimentado por essa subcultura de destruição, frequentemente cega os indivíduos para as reais necessidades do contexto social em que estão inseridos.
A Importância de Uma Perspectiva Coletiva
Quando a preocupação se restringe ao interesse individual, o bem comum é relegado a segundo plano. As sociedades mais desenvolvidas ao redor do mundo têm uma característica em comum: seus cidadãos não se limitam a buscar seu próprio bem-estar, mas incorporam o bem-estar de todos em sua visão de futuro. Não adianta que uma pessoa ou um grupo seleto tenha acesso a moradias luxuosas enquanto muitos vivem em condições precárias e insalubres.
Além disso, não basta implementar medidas que favoreçam a mobilidade urbana de poucos privilegiados, ignorando as necessidades dos mais carentes. O desejo de autopromoção e a busca por reconhecimento em disputas eleitorais ou sociais também são problemáticas. A falta de empatia em relação ao outro distancia a compreensão da importância de administrar diferenças, fundamentais para a convivência pacífica e equilibrada.
Prioridade ao Bem Comum
É comum que sociedades desenvolvidas enfrentem embates entre suas diferenças; no entanto, os parâmetros que priorizam o bem comum são essenciais. Sem essa prioridade, os esforços se voltam para as disputas, afastando as ações governamentais do benefício coletivo. Deste modo, recursos são desperdiçados em dinâmicas de corrupção e outros problemas que ameaçam o bem-estar social.
A incessante busca por acumular bens e riqueza leva a uma degradação ética e moral, cujas consequências são visíveis no cotidiano. Isso se traduz em falhas na infraestrutura urbana e na qualidade de vida, substituindo uma vida simples e digna por um esbanjamento que é alimentado por vaidades. Além disso, essa sede de possuir mais contribui para o aumento da violência e diferentes formas de adoecimento social.
Construindo um Futuro Melhor
É crucial reconhecer que o mundo contemporâneo enfrenta uma verdadeira epidemia de depressão, uma condição que ameaça a vida de muitos. Além disso, a depressão social é uma consequência visível do crescente abismo entre ricos e pobres. Para superar esses desafios, é necessário buscar a construção de uma cultura de paz que valorize relações sociais mais justas e equitativas, combatendo subculturas que prejudicam a unidade e a coesão social.
Essas subculturas não apenas estagnam as ações dos governantes, mas também diluem o sentido nobre da política, gerando miopias. A lista de subculturas prejudiciais é extensa, e há uma necessidade urgente de consciência e ação. É fundamental promover novas dinâmicas e corrigir procedimentos para evitar que a sociedade permaneça presa ao atraso, desperdiçando seus valiosos recursos. O enfrentamento dos entraves trazidos por essas subculturas deve seguir exemplos inspiradores que já demonstraram o caminho para um desenvolvimento integral, ancorado na justiça e na solidariedade.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
