Erros Médicos e a Perda de um Pai
A ceia de Natal da família Cardoso de Brito se transformou em um momento de luto e tristeza. O idoso Manuel Cardoso de Brito, de 68 anos, faleceu no dia 24 de dezembro, após complicações relacionadas a duas cirurgias realizadas no Hospital Municipal de João Pinheiro, localizado na região Noroeste de Minas Gerais. Samuel Cardoso Rezende de Brito, filho do falecido, encontrou na confecção da cruz que marca o túmulo de seu pai uma forma de expressar sua dor. Ele, que é serralheiro, compartilhou sua experiência ao portal G1, afirmando: ‘Foi a cruz mais pesada que eu fiz na minha vida. Nossa, eu chorei, mas chorei’.
A família alega que a morte de Manuel foi decorrente de um erro médico, já que uma pinça cirúrgica teria sido deixada em seu corpo durante a primeira operação. A Secretaria Municipal de Saúde confirmou a ocorrência de um corpo estranho sendo removido e afirmou que está investigando o caso.
Uma Tradição Quebrada pela Dor
Segundo Samuel, a família sempre fez questão de se reunir para as festividades de fim de ano, mesmo após Manuel ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) há alguns anos. Embora o pai necessitasse de cuidados especiais, ele conseguiu se comunicar e se alimentar, mantendo-se presente na vida familiar. ‘Foi o pior Natal da minha vida. Eu ficava imaginando e lembrando dele, comendo a costela que tanto gostava. Mesmo doente, ele sempre esteve conosco’, recordou Samuel, visivelmente emocionado.
Histórico de Erros no Mesmo Hospital
Além da dor pela perda do pai, Samuel revelou um episódio preocupante que envolveu sua mãe na mesma instituição de saúde. Ele recorda que, na infância, a mãe também passou por uma cirurgia de retirada de vesícula no Hospital Municipal de João Pinheiro e, segundo relatos familiares, um dreno foi esquecido em seu corpo. ‘Quando eu era pequeno, minha mãe teve uma cirurgia no mesmo hospital, mas eu nunca imaginaría que isso poderia acontecer de novo’, disse.
Ele ainda afirmou que sua mãe pode ter enfrentado complicações devido ao descuido, e que a família precisou insistir para que o objeto fosse retirado.
Conversas com a Equipe Médica
A situação se agravou após a segunda cirurgia, quando Samuel foi chamado para uma conversa com o médico responsável. ‘Eles me ligaram e disseram que precisavam conversar. Disseram que meu pai estava com pus e que a causa era um dreno que havia sido esquecido dentro dele. Naquele momento, já estava tão abalado que não consegui processar a informação de imediato’, relatou.
Samuel destacou que a equipe médica não forneceu detalhes sobre o que aconteceu, deixando a família sem respostas claras.
Internação e Desfecho Trágico
Conforme o Boletim de Ocorrência, Manuel foi internado em 5 de dezembro com um quadro grave de úlcera gástrica. Apesar de a equipe médica afirmar que tudo correu bem na primeira cirurgia, Samuel percebeu que seu pai estava tendo dificuldades para se alimentar, além de apresentar sinais de dor. Posteriormente, uma tomografia revelou a presença do corpo estranho no organismo do paciente.
Durante a segunda cirurgia, a equipe médica não comunicou a necessidade do procedimento à família, o que deixou Samuel profundamente incomodado. Após 13 dias internado, Manuel não resistiu e faleceu. A certidão de óbito registrou a morte como natural, mas Samuel e o advogado da família, Iuri Evangelista Furtado, contestam essa versão e acreditam que o pai poderia estar vivo se não tivesse ocorrido o erro médico.
Buscando Justiça e Respeito
O advogado da família informou que ações legais estão sendo tomadas, visando garantir que a verdade sobre o que aconteceu seja revelada. O objetivo é que medidas sejam adotadas para prevenir que outros pacientes enfrentem situações similares no futuro. ‘A família não busca vingança, mas sim verdade, justiça e respeito à memória do senhor Manuel’, declarou.
Posicionamento da Prefeitura
A Prefeitura de João Pinheiro divulgou uma nota onde esclareceu que a Secretaria Municipal de Saúde está apurando os fatos e reforçou que o paciente chegou em estado crítico, o que complicou ainda mais sua condição. A administração expressou solidariedade à família e reafirmou o compromisso com a saúde pública e a ética no atendimento aos cidadãos.
