Vibrante Cultura Negra em Belo Horizonte
Belo Horizonte, com sua população de mais de 2,4 milhões de habitantes, exibe uma cena cultural vibrante onde a presença da população negra é essencial. De acordo com o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56% dos moradores da capital mineira se identificam como pretos ou pardos. A cidade, fundada em 1897, pouco após a abolição da escravatura, carrega um passado histórico significativo, que inclui a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, hoje um patrimônio imaterial, e o histórico terreiro de Ilê Wopo Olojun.
No presente, a cultura afro-mineira se manifesta de forma intensa na gastronomia, nas tradições como as Congadas e Reinados, além de ganhar vida nas ruas por meio de batalhas de rima e rodas de samba. Esses atrativos têm atraído cada vez mais turistas. Segundo dados do Observatório do Turismo da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais (Secult-MG), em 2025 houve um aumento de 35,1% nas chegadas domésticas e surpreendentes 74% nas visitas internacionais.
O afroturismo está se firmando como uma nova tendência na cidade, que sediará o CBAfro, o primeiro congresso brasileiro do setor em 2025. Durante o evento, foi lançado o Guia de Afroturismo de Belo Horizonte, uma iniciativa do Guia Negro e da Sensações Turismo, que lista locais para visitar, comer e explorar.
A seguir, apresentamos oito dicas imperdíveis para quem deseja conhecer a cidade e sua rica cultura afro-brasileira.
1) Batcum Tendinha
Localizado no Concórdia, um dos bairros mais emblemáticos da história negra da cidade, o Batcum se destaca por sua programação cultural vibrante. Fundado em 1928, após a criação de Belo Horizonte, o Concórdia se torna um refúgio para aqueles que foram deslocados do centro devido à gentrificação. Conhecido como a “Pequena África”, o bairro abriga terreiros de religiões de matriz africana, blocos afros e outras manifestações culturais. O Batcum, portanto, é um espaço de celebração da arte, percussão e, especialmente, do samba, promovendo eventos com artistas locais e de outras regiões.
2) Território Kitutu
O Território Kitutu é famoso por seu feijão tropeiro, considerado o prato que melhor representa a gastronomia da cidade, conforme apontou a pesquisa Hábitos Gastronômicos de 2025. Sob a liderança da Mestra Kelma Zenaide, o restaurante traz sabores autênticos da culinária afro-mineira, com destaque para o xinxim de frango acompanhado de acaçá. Uma experiência imperdível que traz o gostinho da tradição local.
3) Mirante do Aglomerado da Serra
O Aglomerado da Serra, maior favela de Belo Horizonte, abriga mais de 40 mil pessoas em suas oito vilas. Conhecida carinhosamente como “Serrão”, a região é repleta de bares e espaços artísticos, além de um comércio vibrante. A vista panorâmica do Mirante do Serrão tem atraído turistas, com passeios guiados oferecidos pela Serrão Tur, onde o guia Rogério Rêgo apresenta a beleza local.
4) Muquifu
O Muquifu – Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos, foi fundado pelo padre Mauro Diniz, que dedicou sua vida à preservação da história negra de Belo Horizonte, especialmente no Largo do Rosário. O museu reúne acervos que refletem as lutas e celebrações das comunidades faveladas e quilombolas, apresentando uma rica tapeçaria da cultura afro-mineira.
5) Bar do Cacá
Com mais de 40 anos de história, o Bar do Cacá, localizado no bairro São Paulo, é um ícone da cultura negra da capital. Fundado por Nelson e Cacá, filhos de pai quilombola e mãe benzedeira, o bar evoluiu de um simples botequim a um espaço que celebra a negritude e a musicalidade. O samba é uma parte fundamental do ambiente, com a presença frequente da cantora Adriana Araújo, uma das vozes mais proeminentes do samba mineiro.
6) Viaduto de Santa Tereza
O Viaduto de Santa Tereza, situado no bairro Floresta, tornou-se um importante palco urbano de manifestações culturais. Desde a sua construção em 1929, ele tem sido um ponto de encontro para a cena hip-hop da cidade. Sob o viaduto, o bar 2 Black Beer oferece cerveja artesanal, música negra e um ambiente repleto de grafite e criatividade, atraindo visitantes às sextas e sábados.
7) Caminhada Belo Horizonte Negra
A caminhada Belos Horizontes Negros oferece cinco rotas temáticas que revelam a cidade sob uma perspectiva afrofeminista. Os passeios incluem figuras históricas e um circuito de artes urbanas, proporcionando uma imersão nas memórias e resistências da população negra. Organizado pela Sensações Turismo e o Guia Negro, o tour é uma ótima oportunidade para apreciação cultural.
8) Estátuas de Lélia Gonzalez e Carolina Maria de Jesus
No Parque Municipal, duas esculturas homenageiam as importantes intelectuais Lélia Gonzalez e Carolina Maria de Jesus. Instaladas em junho de 2024, essas obras, criadas pelo artista Léo Santana, representam uma valorização da literatura afro-brasileira, além de reforçar o legado de autoras mineiras na literatura nacional.
